Carvalho nega extorsão e afirma que empresário mostra 'desespero'

Chefe da Secretaria-Geral da Presidência garante que não foi vítima de chantagem e diz que tema não preocupa o governo

Tânia Monteiro - O Estado de S. Paulo,

06 de novembro de 2012 | 02h04

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, negou ontem ter sido vítima de chantagem em Santo André em 2003. Ele afirmou que as acusações feitas pelo empresário Marcos Valério demonstram "desespero".

Reportagem da revista Veja desta semana revelou que Valério teria sido procurado pelo então secretário-geral do PT, Silvio Pereira, a fim de mandar dinheiro para o empresário Ronan Maria Pinto. Isso porque Ronan estaria chantageando petistas: ameaçava envolver os nomes de Carvalho e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no suposto esquema de desvio de verbas de Santo André durante a gestão do prefeito Celso Daniel. Daniel foi assassinado em 2002.

"Nunca vi Marcos Valério, nunca falei com ele nem por e-mail. Nunca soube dessa história de chantagem em Santo André", disse. "Tem que respeitar o desespero dessa pessoa", completou.

As declarações do ministro foram dadas após cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural, no Planalto. O ministro disse que não tratou do assunto com a presidente Dilma Rousseff. "A conversa foi rápida. O que eu tinha de falar sobre este caso eu já falei, já dei minha resposta." Questionado se Dilma quis alguma informação, ele disse "não". "A presidenta sabe das coisas."

Carvalho descartou também qualquer possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sido vítima das chantagens denunciadas por Valério. "É natural que as pessoas tentem, mas não vão conseguir. O presidente Lula nunca teve nada com essa história. Está longe, fora disso, completamente", disse. "O presidente Lula é o que o povo está vendo pelo País afora. Se tem uma coisa que não nos preocupa, não nos perturba, é isso", disse.

O ministro tentou desconversar, dizendo que o governo não está preocupado com tais temas, e sim "com outras coisas". "Estamos preocupados em trabalhar e fazer de 2013 o grande ano deste governo", disse. "Sempre o melhor ano de um governo é o terceiro. Vamos ter crescimento e o governo vai trabalhar muito; a máquina está muito azeitada", declarou. "É disso (trabalho) de que o Brasil precisa agora."

Carvalho descartou ainda a possibilidade de acionar Valério na Justiça por causa de suas acusações. "Não vou me dar ao trabalho. Tenho mais coisa para fazer, muito movimento social para cuidar." No Planalto, a avaliação é que não há risco de as investigações serem reabertas pelo STF para incluir Lula nas apurações. "O STF já recusou uma investigação", disse um assessor palaciano. "O governo não interfere nisso, mas achamos que isso não está em cogitação", comentou outro auxiliar de Dilma. "Não acreditamos que o STF vá entrar no jogo do Marcos Valério."

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