Cartório vê falta de estrutura no partido

Campeão de rejeição de assinaturas em SP rebate críticas de Marina à Justiça Eleitoral

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

01 de setembro de 2013 | 02h14

O cartório da 257.ª Zona Eleitoral, na Vila Prudente, região leste de São Paulo, invalidou mais da metade das assinaturas enviadas pela Rede Sustentabilidade, partido que a ex-senadora Marina Silva tenta criar. É um dos maiores volumes de rejeições na cidade, segundo os apoiadores da futura sigla. Os fiscais alegam que as assinaturas não conferem com as do cadastro.

A demora dos cartórios para certificar as assinaturas e a quantidade de fichas invalidadas sem justificativa têm sido apontadas pela Rede como os principais obstáculos para conseguir o registro do partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O advogado da sigla, Torquato Jardim, diz que os maiores problemas estão em São Paulo e no Distrito Federal. Enquanto a média nacional de rejeição é de 18%, nesses lugares passa dos 30%.

O chefe do cartório da 257.ª Zona Eleitoral, Fernando Ruiz Zambrano, explica que o processo demanda certo tempo porque é 100% manual.

Para evitar fraudes, a equipe diz ser muito criteriosa ao conferir as assinaturas. A funcionária Sandra Mara Benedicto Alves conta que, no começo, demorava muito para cumprir o procedimento, mas agora, só de bater o olho na assinatura, reconhece se ela é ou não do eleitor. "A letra da pessoa é única, dá para perceber", afirma.

Zambrano defende o trabalho dos cartórios. "A Rede diz que a Justiça Eleitoral não tem estrutura, mas quem não tem são eles. Falta organização. O Solidariedade, por exemplo, mandou muito mais fichas", afirma, citando a sigla que o deputado Paulinho da Força (PDT-SP) ajuda a criar. Enquanto a Rede enviou cerca de mil fichas ao cartório, o Solidariedade encaminhou o triplo.

Para formar um partido, a lei exige que passem pelo crivo dos cartórios cerca de 492 mil assinaturas, mas, segundo o último balanço, o grupo certificou apenas 310 mil. A Rede diz que tem ainda cerca de 200 mil fichas em análise nos cartórios, mas esse número pode não ser o suficiente se as taxas de rejeição se mantiverem no atual patamar.

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