Carona de empresário complica Pimentel

Ministro participava de comitiva presidencial e utilizou um avião fretado pelo empresário João Dória Jr. para ir da Bulgária até a Itália

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h01

A situação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, pode se complicar na Comissão de Ética Pública da Presidência da República, em decorrência de uma nova denúncia contra ele, por ter viajado em jatinho cedido pelo empresário João Dória Júnior, em outubro do ano passado.

Segundo informação do Portal Terra, Pimentel acompanhava a presidente Dilma Rousseff em viagem à Europa, e utilizou um avião fretado pelo empresário João Dória Júnior para ir da Bulgária, onde estava com a comitiva presidencial, até a Itália, para participar de um encontro com empresários.

O Código de Conduta de Conduta da Alta Administração Federal diz que "a autoridade pública não poderá receber salário ou qualquer outra remuneração de fonte privada em desacordo com a lei, nem receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade". Com base nesse artigo, o PPS dá entrada hoje, na Comissão de Ética do Planalto, a uma nova representação contra Pimentel, que será analisada na próxima reunião do conselho, dia 11 de junho.

O artigo do Código ressalva, entretanto, que "é permitida a participação em seminários, congressos e eventos semelhantes, desde que tornada pública eventual remuneração, bem como o pagamento das despesas de viagem pelo promotor do evento, o qual não poderá ter interesse em decisão a ser tomada pela autoridade".

A assessoria de imprensa do ministério confirma a informação de que Pimentel usou o avião do empresário. O ministro disse que o evento com os empresários foi decidido de última hora e que, por isso, o ministro usou o avião de João Dória.

Ainda de acordo com a assessoria, Pimentel não teria como usar avião oficial porque a aeronave estava sendo usada por Dilma. Pimentel teria sido autorizado a deixar a comitiva presidencial para ir ao evento com os empresários. "Saí da comitiva da presidente e fui mesmo para Roma, mas não fui em avião oficial porque o compromisso não fazia parte da agenda da presidente. Não tinha como ir de avião oficial. Ele (João Dória Júnior) mandou um avião e eu usei a aeronave que ele colocou pra mim naquele momento", afirma a nota.

Após dizer que não sabia como o ministro havia chegado a Roma, João Dória voltou atrás e soltou uma nota confirmando que contratou um voo "para que o ministro chegasse no horário ao seminário".

Pimentel já devia explicações à Comissão de Ética em relação às denúncias de suspeita de tráfico de influência porque a sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010, que foram entregues ao órgão, com atraso, o que foi considerado "grave" pelo presidente da Comissão, Sepúlveda Pertence.

A Comissão não tomou medidas contra isso de imediato e ia analisar as explicações apresentadas depois, decidindo que caminho tomar em relação a Pimentel. No início da semana, Pertence disse que os esclarecimentos complementares só chegaram na sexta-feira.

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