Cardozo sai em defesa da reforma política

Em evento com advogados no Rio, ministro da Justiça critica financiamento privado de campanhas que, segundo ele, 'gera corrupção estrutural que não pode mas ser aceita'

Mariana Durão e Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 13h19

Rio - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, defendeu uma reforma política no País e, em especial, uma mudança no sistema de financiamento privado de campanha como forma de prevenção da corrupção no Brasil.

"Se queremos um estado de direito legitimado (...) temos uma tarefa inadiável: a reforma política. Não é possível conviver com um sistema que pelas formas de financiamento gera corrupção estrutural que não pode mas ser aceita entre nós", disse durante a abertura da XXII Conferência Nacional dos Advogados, no Rio.

Em meio às denúncias de corrupção na Petrobrás, tema recorrente na corrida presidencial, Cardozo disse que o engajamento da sociedade é fundamental para o avanço das mudanças em um sistema "superado" e que gera acusações. 

"(acusações) Devem ser feitas sempre que erram, mas temos que ir às causas do problema que gera situações que todos os brasileiros rejeitam. A causa do problema de corrupção no País em larga medida está em um sistema superado, inaceitável", afirmou o ministro.

O discurso contrário ao atual modelo de financiamento de campanha e pela reforma política foi repetido por outras autoridades, como o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, e pelo vice-presidente da República, Michel Temer, presentes ao evento.  "Não é possível mais continuarmos com esse sistema político-eleitoral", disse Temer.

Lewandowski pregou mudanças para o aperfeiçoamento do sistema eleitoral brasilero. Além de reafirmar sua posição contrária ao financiamento de campanha por empresas privadas, Lewandowski defendeu um teto para o valor das campanhas. "Não é possível que elas sejam bilionárias, onde ideias e programas se deixam de lado e o marketing valoriza aspectos da personalidade dos candidatos", afirmou o ministro, que também se declarou a favor da cláusula de barreira para limitar o número de partidos.

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