Capitão Wagner intensifica uso de caciques políticos em campanha

Candidato do PR à prefeitura de Fortaleza tem recebido apoio público dos senadores Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB) para 'mostrar que tem força em Brasília', diz

Igor Gadelha, enviado especial, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2016 | 16h11

FORTALEZA - Nesta reta final, o candidato do PR à Prefeitura de Fortaleza, Capitão Wagner, intensificou o uso de caciques da tradicional política cearense em sua campanha contra o adversário Roberto Cláudio (PDT), atual prefeito. Os senadores Eunício Oliveira (CE), líder do PMDB no Senado, e Tasso Jereissati (PSDB-CE) são seus aliados nesta disputa.

Wagner é candidato de uma aliança entre PMDB, PSDB, PR e Solidariedade, principais partidos de sustentação do governo do presidente Michel Temer. "Tanto na rua quanto na TV a gente usou a imagem dos dois para mostrar que tem força em Brasília para buscar os recursos para que possa cumprir as promessas", afirmou Wagner ao Estado.

Em uma dessas propagandas no rádio, Wagner chegou a apresentar Eunício como presidente do Senado, o que foi considerado depois como "erro". O peemedebista é um dos nomes cotados para suceder o atual presidente da Casa, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a partir de fevereiro de 2017. A Justiça Eleitoral do Ceará, porém, proibiu a inserção. As emissoras que descumprirem a determinação estão sujeitas a multa. A assessoria de Wagner, que é deputado estadual, diz que foi um "erro de produção".

Candidato à reeleição por uma coligação de 18 partidos (PDT/ PP/ DEM/ PEN/ PSC/ PSDC/ PRTB/ PTC/ PPS/ PTN/ PPL/ PSL/ PV/ PTB/ PSD/ PROS/ PMB/ PCdoB), o atual prefeito de Fortaleza minimiza o fato de ser oposição ao governo federal. "Bons projetos sempre vão ter espaço", afirmou. Roberto Cláudio cita ainda a possibilidade de a prefeitura conseguir empréstimos com bancos e organismos internacionais para financiar os projetos.

Assim como Wagner, o prefeito intensificou a participação na campanha do segundo turno de seus padrinhos políticos: os ex-ministros Cid e Ciro Gomes, ambos do PDT. Nessa quinta-feira, 27, os dois participaram de comício ao lado do prefeito no comitê central da campanha. Ciro também tem usado o Facebook para criticar o candidato adversário. A reeleição do aliado em Fortaleza é importante para reforçar a candidatura de Ciro à Presidência da República em 2018.

Após a derrota no primeiro turno da candidata do PT, a deputada Luizianne Lins, que ficou em 3.º lugar, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), também passou a participar dos atos da campanha de Roberto Cláudio. Até então, o gestor petista apoiava o prefeito apenas nos bastidores. O partido liberou seus filiados no segundo turno, mas as principais figuras da sigla no Estado, como o deputado federal José Guimarães, apoiam publicamente o candidato do PDT.

Roberto Cláudio lidera as pesquisas de intenção de voto, mas sua vantagem em relação ao adversário diminuiu. Nos dois últimos levantamentos do instituto Datafolha, encomendado pelo jornal O Povo, o atual prefeito de Fortaleza oscilou de 59% para 56% dos votos válidos, enquanto o candidato do PR foi de 41% para 44%. Duas novas pesquisas, uma do Ibope e outra do Datafolha, devem ser divulgadas neste sábado, 28.

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