Candidaturas já negociam apoios para o 2º turno

Mesmo com disputa aberta pela proximidade entre os segundos colocados, petistas e tucanos acertam com nomes que já não têm condições de vencer

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h24

A duas semanas da eleição para a Prefeitura de São Paulo, o PMDB, o PDT e até o minúsculo PRTB já amarram acordos e se aproximam dos candidatos com chances de disputar o segundo turno. A estratégia discutida nos bastidores das campanhas ficou evidente na segunda-feira, durante debate entre os concorrentes à cadeira de Gilberto Kassab (PSD), promovido pela TV Gazeta.

O candidato do PMDB, Gabriel Chalita, foi um dos que mais atacaram José Serra (PSDB), poupando o petista Fernando Haddad, em confronto com o tucano no horário eleitoral. Chalita está em quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Serra e Haddad duelam pela vaga para o segundo turno. Na lanterninha, o candidato do PDT, Paulinho, reforçou a ofensiva contra Celso Russomanno (PRB), líder das pesquisas de intenção de voto que também "roubou" votos do eleitorado tucano.

Embora a cúpula do PMDB, do vice-presidente Michel Temer, negue acordo para ajudar Haddad, em troca de cargos no governo Dilma Rousseff, dirigentes do partido veem como "natural" o apoio de Chalita ao PT, caso o petista passe para a segunda rodada contra Russomanno.

Com boa relação com Haddad, Chalita provocou Serra em várias ocasiões no debate da TV Gazeta. Disse que o tucano deu "quase 200% de aumento" para subprefeitos e cargos de confiança enquanto para o resto dos servidores o reajuste teria sido de "0,01%". "Isso é lamentável nesta gestão Serra e Kassab", insistiu.

Serra rebateu ao afirmar que Chalita é bem remunerado como deputado, com salário mais alto do que o dos subprefeitos, e não compareceria a votações. "Os dados estão aí. Os jornalistas podem checar", atacou. Ex-integrante do PSDB, Chalita tem inserção em parte do eleitorado de Serra.

Em dobradinha com Haddad, o candidato do PMDB dirigiu a ele uma pergunta sobre o sistema de transporte. Levantou a bola para o petista questionar a atual gestão do aliado de Serra.

Em nota, o deputado Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista, negou qualquer acordo com o PT e repudiou "especulações sobre uma suposta negociação para Chalita assumir um ministério em troca de apoio ao candidatura do PT".

Dilma já disse a aliados que fará mudanças no ministério depois das eleições, com o novo mapa das urnas e suas respectivas forças políticas. O PMDB espera ganhar postos de maior visibilidade no primeiro escalão e Chalita poderá ser um dos contemplados.

Na seara do PT há quem deseje uma dança das cadeiras no ano que vem, na qual a ministra Gleisi Hoffmann sairia da Casa Civil e começaria a pré-campanha para o governo do Paraná, em 2014.

Nesse cenário, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT), poderia ser deslocado para a Casa Civil. O PMDB quer Chalita na Educação - ele foi secretário da pasta no governo Geraldo Alckmin (2003-2006).

Na campanha de Serra, os tucanos trabalham para ter o apoio de Paulinho. Os dois fizeram dobradinhas nos dois últimos debates: o do Estadão/TV Cultura e o da TV Gazeta. Apesar de a relação entre o sindicalista e o tucano não ser das melhores, Paulinho emplacou o secretário de Trabalho, Carlos Ortiz, e é cortejado por Alckmin para apoiar Serra. O Estado apurou que o governador telefonou para Paulinho para parabenizá-lo sobre o desempenho no debate do dia 17.

Nos dois últimos debates, o tucano escolheu fazer perguntas ao pedetista sobre pontos do seu programa de governo. "Eu sempre enfatizei muito o Metrô. Quais são suas propostas para o setor?", questionou Serra, anteontem.

Coube a Paulinho fazer enfrentamento direto com Russomanno, que tem atraído eleitores de Serra. O pedetista usou informações que circulam entre os tucanos sobre a votação do candidato, enquanto deputado federal, em questões envolvendo os trabalhadores. Segundo a assessoria do PDT, o levantamento não foi repassado por nenhuma outra campanha e foi feito pela própria equipe do partido no Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

O Estado apurou que Levy Fidelix, do PRTB, que também já foi elogiado por Serra nos debates, procurou os tucanos para tentar costurar uma ponte no segundo turno. Estava previsto para hoje à tarde um encontro com Alckmin no Palácio dos Bandeirantes para discutir a eleição.

"Eu sou como massa de bolo. Quanto mais batem em mim, mais eu cresço", afirmou Russomanno, à saída do estúdio da TV Gazeta. Haddad disse que o debate foi "proveitoso" e cutucou o candidato do PSDB, hoje seu principal adversário. "Eu achei muito estranho que Serra não polarizou nem comigo nem com Russomanno". / VERA ROSA, JULIA DUAILIBI E BRUNO BOGHOSSIAN

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