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Candidatura estratégica

A possibilidade de a ex-ministra Marina Silva não formalizar sua candidatura à Presidência da República em 2014, caso tenha o registro do partido Rede Sustentabilidade indeferido, se funda na convicção de que a filiação a outra legenda - hipótese não descartada -, comprometeria seu projeto civilista que se propõe a oxigenar o ambiente político asfixiado por um conceito de esquerda e direita anacrônico e patrulhador.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2013 | 02h15

Essa é uma das sínteses que se extrai entre os correligionários da ex-ministra avessos a qualquer outro cenário de disputa que não inclua a Rede Sustentabilidade. A tese é de difícil sustentação, sobretudo se confrontada com o patrimônio eleitoral de Marina obtido na última eleição e, como informa a recente pesquisa Ibope - em parceria com o Estado -, ampliado nessa fase de pré-campanha.

Essa frustração precipitada, pela sua inconsistência estratégica, soa aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral como mais uma das muitas pressões do grupo da ex-ministra pelo registro do partido. Além de indevida é desnecessária porque não são remotas as chances de êxito de Marina na sua saudável empreitada.

O pleito da Rede é legítimo e sua alegada insuficiência jurídica é discutível, pois o número de assinaturas não certificadas - 92 mil -, decisivas para o cumprimento da exigência de representatividade, não mereceram qualquer justificativa dos cartórios eleitorais que não as autenticaram. Somadas às 468 mil regulares e já aprovadas, passam do número exigido de 492 mil, o que permitiria à Rede cumprir com folga a tarefa.

Existem evidências de que o crescimento das intenções de voto de Marina tem influência das manifestações de junho. Ela é a personagem política do momento que encarna o sentimento de desagrado geral, pano de fundo dos protestos. Mas não mostrou ainda um projeto de País claro e exequível, concentrada em obter o pré-requisito para participar de uma disputa, que é a criação de seu partido político.

A pesquisa mais recente do Estadão/Ibope já indica uma pequena queda no seu porcentual de intenção de voto, o que certamente está associado à incerteza quanto à sua candidatura, que ela alimenta ao condicioná-la a uma decisão favorável do TSE. A mesma pesquisa permite a leitura de que esses votos perdidos não migraram para as outras candidaturas e que 45% dos entrevistados se declaram sem candidato à Presidência.

São dados que deveriam estimular a candidatura em qualquer circunstância por confirmarem que o projeto da ex-ministra pode ter sua receptividade ampliada e, mais que isso, consolidar o 2.º turno, já que a recuperação da presidente Dilma Rousseff, embora sólida, não a devolveu ao patamar anterior de 50%

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