Candidatura de Pochmann reproduz conceito de 'nome novo' em Campinas

Escolhido por Lula, petista tem biografia e programa de governo parecidos com os de Haddad

Ricardo Brandt, de O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2012 | 17h47

CAMPINAS - A candidatura de Márcio Pochmann (PT) a prefeito de Campinas foi uma réplica caipira da candidatura de Fernando Haddad, em São Paulo. Ambos nomes indicados para a disputa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, suas biografias, trajetórias de crescimento em campanha e programas de governo se cruzam.

Nome ainda não testado nas urnas, como Haddad, Pochmann iniciou a disputa em julho com 1% das intenções de voto, superou o segundo colocado, o prefeito Pedro Serafim (PDT), e conseguiu levar a disputa para o segundo turno, mesmo com o candidato Jonas Donizette (PSB) tendo liderado durante todo primeiro turno, com chances de vitória em uma etapa. Jonas, aliado do PSDB na cidade, terminou com 47% dos votos válidos, contra 28% do adversário petista.

Como em São Paulo, o PT apostou na associação da imagem do candidato às figuras de Lula, da presidente Dilma Rousseff e de outras lideranças nacionais do partido.

Pochmann e Haddad participaram da formação do PT ainda jovens e seguiram carreira acadêmica. Ambos integraram o governo da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (2001-2004) e ocuparam postos de visibilidade no governo federal nas gestões Lula e Dilma.

Em São Paulo, na Prefeitura, Pochmann foi secretário de Trabalho, enquanto Haddad foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças. No governo federal, Pochmann foi nomeado presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), em 2007, no governo Lula, permanecendo no cargo com Dilma. Haddad, ministro da Educação.

Dentro da estrutura partidária, Pochmann e Haddad formam o grupo de intelectuais, chamados dentro do PT de quadros técnicos. Eles também não têm ligação forte com nenhuma das correntes, nem nunca fizeram parte da máquina burocrática do partido.

A direção nacional do PT considera que a escolha dos dois nomes para disputar o primeiro e o terceiro mais populosos municípios do Estado vai além dos pontos comuns da vida profissional e da biografia acadêmica. Tem a ver com aceitação pública.

Ambos são jovens, de perfil intelectual e acadêmico e têm boa imagem, uma das preferências do eleitorado nessas eleições 2012, segundo apontaram as pesquisas internas do partido antes da disputa.

Com 37% das intenções de voto, contra 45% de Jonas, na última pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira, 22, Pochmann tem chances de virar o jogo nas urnas no domingo, 28 Os levantamentos feitos pelo partido mostram uma distância menor entre os candidatos. "Estamos confiantes na vitória", afirmou Pochmann, que nesta sexta-feira, 26, recebeu o apoio do candidato derrotado a prefeito de São Paulo, pelo PMDB, Gabriel Chalita.

Ganhando ou perdendo as eleições em Campinas, neste domingo, o PT considera a campanha de Pochmann vitoriosa, por fortalecer um nome que servirá para ser trabalhado nas próximas eleições de 2014, dentro do processo de renovação de quadros do partido. Tanto Pochmann como Haddad fazem parte desse projeto petista de formação de quadros nos maiores colégios eleitorais do país, conduzido diretamente pela direção nacional do partido e pelo ex-presidente Lula. Distantes do perfil sindicalista, sem ligação com movimentos sociais, são nomes paulistas que vão servir para oxigenar as disputas internas nas próximas eleições.

"Os velhos nomes do PT já passam por um processo de desgaste. Formar novos quadros é uma prioridade para que o partido também possa atender esse interesse que o eleitorado tem de políticos com um novo perfil", afirmou uma liderança nacional do PT.

Programas. No campo das propostas, Pochmann lançou em Campinas a sua versão do bilhete único com tarifa mensal, propôs a criação de uma Secretaria para Mulheres e explorou a implantação de Centros de Educação Unificados (CEUs) - ainda inexistentes na cidade.

A campanha de Pochmann nega que a proposta do bilhete único seja uma cópia e diz que ela já integrava o plano de ações antes de surgir na capital. O próprio candidato explora o fato de ter participado da criação do bilhete único na gestão Marta, em São Paulo.

"Para mim, essa oportunidade que os partidos da coligação me deram de competir em Campinas vem sendo uma profunda aprendizagem e uma experimentação do sistema político e eleitoral brasileiro. Não tenho dúvidas que, se não tivesse tido essa oportunidade que tive, jamais teria entendido a natureza em que a população se envolve e se engaja com o sistema eleitoral", analisou Pochmann, que se reconhece como novo quadro de renovação dentro do partido. "Tenho me esforçado para isso."

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