Candidatos usam TV para atacar currículo ministerial

No 2º turno, propaganda tem início com petista e tucano desqualificando oponente com críticas às gestões no MEC e na Saúde

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2012 | 03h10

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) trocaram exatamente a mesma quantidade de ataques e acusações no horário eleitoral na TV no segundo turno. Conforme levantamento feito pelo Estado, ambos dedicaram 22% do tempo para criticar o oponente e, em especial, as experiências do adversário como ministro. A análise englobou os cinco primeiros dias de propaganda eleitoral na segunda etapa de votação.

A principal aposta do tucano foi criticar a época em que o petista ocupou o Ministério da Educação (2005-2012). As falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a greve nas universidades federais deste ano foram os pontos mais explorados na propaganda de Serra. Reformulado por Haddad, o Enem apresentou problemas de realização nos últimos três anos.

Os programas do PSDB também afirmaram diversas vezes que Haddad "foi o pior ministro da Educação que o Brasil já teve", numa tentativa de demonstrar que o adversário não estaria preparado para ser prefeito de uma cidade como São Paulo.

Temas como o julgamento do mensalão e críticas à administração da petista Marta Suplicy na Prefeitura (2001-2005) também entraram na pauta, mas com menor intensidade.

O resultado desse levantamento mostra que a campanha de Serra mudou de estratégia em relação ao 1.º turno, quando as críticas aos adversários não chegaram a 10% do tempo na TV. O tucano está atrás nas pesquisas de intenção de voto.

As críticas ao "ministro Haddad" apareceram já no primeiro dia da propaganda eleitoral, na segunda-feira. No dia seguinte, o próprio Haddad respondeu aos ataques. Olhando fixo para a câmera, o candidato do PT afirmou que Serra "distorcia informações". A defesa do seu legado à frente do Ministério da Educação ocupou quase 17% do tempo a que teve direito na TV.

Saúde. Mas a campanha de Haddad não ficou só na defesa. O principal ataque veio na mesma moeda ministerial. Após as críticas de Haddad como ministro, os programas do petista começaram a questionar a atuação de Serra à frente do Ministério da Saúde e a alvejar a atual situação da saúde pública na cidade. O candidato do PSDB ocupou a pasta entre 1998 e 2002, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A saída do tucano da Prefeitura em 2006 para disputar o governo estadual também voltou à cena. Outro tema explorado foram os problemas da cidade, atualmente administrada por Gilberto Kassab (PSD), aliado de Serra.

Em relação ao 1.º turno, porém, o petista se mostrou menos agressivo, uma vez que havia dedicado 28% do seu tempo na TV a fazer críticas aos adversários.

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