Candidatos usam dados parciais e incompletos

Tanto Haddad quanto Serra trocam farpas em debate de TV com 'meias informações'

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2012 | 03h09

Os candidatos à Prefeitura de São Paulo exploraram informações incompletas ou contraditórias no primeiro debate do 2.º turno, anteontem. Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB) disputaram a paternidade de projetos e do financiamento de obras, mas inflaram a população beneficiada e citaram investimentos que ainda não foram concretizados.

No debate da TV Bandeirantes, Haddad tentou destacar as realizações da gestão de Marta Suplicy (PT) no município e investimentos do governo federal. Serra citou avanços promovidos pela Prefeitura nos últimos oito anos, sob seu comando e na administração de Gilberto Kassab (PSD).

Ao menos duas vezes, os candidatos disputaram a responsabilidade por investimentos feitos em São Paulo, mas não deram informações completas aos eleitores.

Serra acusou o governo federal de ter "um problema com o metrô", por não destinar recursos para o transporte sobre trilhos da cidade. Para tentar reforçar sua parceria com a União, Haddad rebateu: disse que havia investimentos no monotrilho da Linha 18 (Tamanduateí-ABC).

De fato, o governo federal firmou um acordo para aplicar R$ 400 milhões nas obras, mas ainda não fez nenhum repasse. O valor total é de R$ 4,1 bilhões.

Haddad e Serra também exploraram os repasses do Ministério das Cidades para a urbanização de favelas em São Paulo. O petista lembrou que havia dinheiro do governo federal no projeto. O tucano disse que o investimento era "obrigação" e que a parcela de recursos era "pequena".

Dados da Secretaria Municipal de Habitação mostram que o governo federal aplicou 19% dos R$ 5 bilhões investidos na urbanização de favelas entre 2005 e junho deste ano - o que equivaleria a quase R$ 1 bilhão em oito anos.

Tucanos e petistas disputaram ainda a autoria do programa de atendimento de gestantes do município. Serra citou como exemplo o Mãe Paulistana, que criou na Prefeitura em 2005. Haddad disse que o projeto foi copiado de Curitiba, inspirado em um plano da gestão Marta.

O debate é uma reprise da eleição de 2004, quando Marta enfrentou Serra e disse que a proposta do tucano era uma cópia de seu programa Nascer Bem. A campanha do PSDB diz que os projetos são diferentes e que o Mãe Paulistana é mais abrangente, incluindo o acompanhamento de gestantes de alto risco por uma central telefônica.

Cada candidato também tentou atribuir ao adversário a responsabilidade pelo contrato de inspeção veicular firmado entre a Prefeitura e a empresa Controlar.

O contrato entre a Prefeitura e a Controlar foi assinado em 1996, na gestão de Paulo Maluf (PP), mas foi contestado na Justiça. O governo Marta Suplicy revisou o programa, mas não instituiu a inspeção. Em 2007, com Kassab, o serviço foi implantado, com uma taxa de R$ 52,89.

Para criticar a gestão Marta, Serra superestimou o número de alunos das chamadas "escolas de lata" - salas de aula montadas em contêineres. "A Prefeitura do PT deixou 75 mil crianças em escolas de lata", acusou Serra. Cálculos da época davam conta de que 50 mil alunos estudavam em escolas desse tipo.

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