Candidatos usam crise da água em SP para trocar ataques

Dilma utiliza tema na propaganda eleitoral e fala em ‘modelo da gestão tucana’; Aécio diz que faltou parceria do governo federal

Ricardo Galhardo, Pedro Venceslau e Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2014 | 22h09

CAETÉ - A crise hídrica em São Paulo, que vive o seu momento mais crítico na véspera da votação do 2.º turno, entrou nesta segunda-feira, 20, definitivamente no debate da disputa presidencial. Enquanto Dilma Rousseff (PT) disse que o caso é um “modelo da gestão tucana”, Aécio Neves (PSDB) reagiu acusando o governo federal de não fazer parceria com o governo paulista para resolver a questão. 

A campanha petista passou a explorar o desabastecimento de água no Estado para tentar reverter parte dos votos que o tucano obteve no 1.º turno no maior colégio eleitoral do País. A decisão ocorreu após a presidente da Sabesp, Dilma Pena, admitir na semana passada que pode faltar água em novembro. A intenção do PT é dizer que o PSDB paulista cometeu um “estelionato eleitoral” ao esconder a gravidade da crise. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi reeleito no 1.º turno. 

Embora Dilma tenha afirmado nesta segunda, em entrevista na capital paulista, que não pretende fazer uso eleitoreiro do tema, a campanha petista passou a distribuir na cidade um panfleto que dizia: “O PSDB tentou fazer você de bobo na eleição para governador. Dê o troco na eleição para presidente. Não vote Aécio”.

O tema primeiro foi abordado na propaganda eleitoral de Dilma no rádio e na TV. Ao comentar a falta d’água, ela disse que tratava do tema por dois motivos: porque se solidarizava com o sofrimento dos paulistas e também para mostrar qual era o modelo de gestão tucana. “Um modelo que meu adversário político não só defende, como representa”, afirmou a presidente e candidata à reeleição. 

Segundo fontes petistas, pesquisas mostram que a declaração da presidente da Sabesp tem aumentado a rejeição a Aécio no Estado. 

A presidente, contudo, insiste que não fará “uso eleitoreiro” do tema. No debate de domingo à noite, na TV Record, Dilma tinha uma pergunta ensaiada sobre o tema mas preferiu não usá-la. Sem citar Aécio, ela fez um histórico dos atos do governo em relação à crise e disse que até o fim de semana a Caixa Econômica Federal vai liberar um financiamento com juros subsidiados de R$ 1,8 bilhão para a obra de transposição das águas do rio Paraíba do Sul, orçada em R$ 2,2 bilhões. 

Estiagem. Em Caeté, na região metropolitana de Belo Horizonte, Aécio defendeu a gestão de Alckmin e culpou a “maior estiagem dos últimos 80 anos” pela falta d'água. Disse ainda não temer prejuízo eleitoral com a crise. “Vi a água sendo discutida em São Paulo (na campanha) e vimos o resultado. O Estado fez algo adequado, que foi bônus para quem economizar. Talvez o que tenha faltado seja uma parceria maior do governo federal”, afirmou o tucano, em visita ao Santuário Nossa Senhora da Piedade. 

O candidato do PSDB também insinuou haver aparelhamento político na Agência Nacional de Águas (ANA). “Se (a agência) não tivesse no governo do PT servido a outros fins... Nós lembramos bem quais foram as indicações, quais foram os critérios para se ocupar cargos de diretoria da ANA.”

Na madrugada desta segunda, após o debate, Alckmin criticou a estratégia petista. “Querer tirar proveito político disso é inadmissível (crise hídrica), acho grande equívoco.” / COLABORARAM RICARDO CHAPOLA, ANA FERNANDES e ELIZABETH LOPES

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