Candidatos resistem a criar pedágio urbano

Haddad, Chalita e Serra evitam entrar no debate sobre taxas, assunto que já ajudou a definir eleições em São Paulo

O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2012 | 03h03

Adversários nas eleições para a Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e José Serra (PSDB) usam argumentos semelhantes para rebater a proposta de cobrança de pedágio urbano na capital paulista: a baixa qualidade do transporte público. Assim, evitam se associar a uma medida tida como impopular e que já ajudou a definir eleições paulistanas: a criação de taxas.

Apesar de ser aliado do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (PSD), o tucano José Serra admite que é necessário aumentar os investimentos em trens e metrô.

"Ainda não temos um sistema de transporte coletivo que possa servir àqueles que usam automóvel", afirmou Serra. "Enquanto você não tiver um excelente sistema de transporte, especialmente de trilhos, não se pode fazer pedágio urbano."

Além da falta de alternativas ao automóvel, Chalita justifica seu ponto de vista pela carga tributária no município, que ele já considera alta.

"Chega de pedágio, chega de taxa. Contra tudo o que é taxa", disse. "Se tivéssemos um sistema de transporte público absolutamente eficiente, ligado a todas as áreas da cidade, aí poderíamos criar o pedágio urbano."

Nos bastidores, Chalita acredita que assumir uma posição favorável à cobrança de pedágio na zona do centro expandido pode aumentar sua rejeição. "Acho que a gente só pode pensar nisso depois que resolver o problema do transporte em toda a cidade."

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal declarou a legalidade do projeto de lei que cria a cobrança. A proposta ainda precisaria ser aprovada em outras comissões e em duas votações no plenário para ser encaminhada ao prefeito.

Chalita e Haddad se comprometeram a vetar o projeto, caso sejam eleitos e o texto chegue a suas mãos. O petista também afirma que a discussão sobre a cobrança aos motoristas é "inoportuna" e citou a falta de serviços coletivos que possa substituir os carros na cidade.

"Não adianta aumentar a restrição ao transporte individual se você não vai aumentar o transporte público", afirmou. "Não houve investimento em transporte público para você punir aquele que opta pelo transporte individual. Mais restrição sem oferta de alternativa me parece um contrassenso."

Na quarta-feira, o pré-candidato do PCdoB à Prefeitura, Netinho de Paula, defendeu a cobrança do pedágio - mas também condicionou a implantação da medida à melhora do transporte coletivo. "Eu defendo a adoção do pedágio urbano. Defendo que a gente crie bolsões para as pessoas deixarem o carro e que só entrem no centro pessoas que venham de transporte público de qualidade e de moto." / BRUNO BOGHOSSIAN e FELIPE FRAZÃO

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