Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Candidatos reciclam proposta em debate

Em encontro promovido por Gazeta, ‘Estado’ e Twitter, temas recorrentes em disputas anteriores em São Paulo voltam à lista de promessas

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2016 | 05h00

Escola em tempo integral, abertura de creches, informatização da rede pública de saúde, contratação de médicos, pagamento do ônibus antes do embarque, fim da terceirização da saúde, aumento da oferta de consultas e de exames em geral. Apresentadas neste domingo, 18, durante o debate promovido por TV Gazeta, Estado e Twitter, as promessas listadas não são apenas genéricas, mas recorrentes. Populares, alguns temas parecem obrigatórios para quem disputa a Prefeitura, apesar de não representar, obrigatoriamente, a solução para os problemas, especialmente em tempos de crise.

Nenhum dos candidatos disse quanto custam suas promessas ou se o caixa da Prefeitura terá condições de bancá-las. Quem chegou mais perto foi o líder nas pesquisas, Celso Russomanno (PRB). Ele assegurou que economizará cerca de R$ 3 bilhões por ano com seu cartão com chip para a saúde. Segundo o candidato, a informatização da rede garantirá essa economia, de 30% dos recursos, o que proporcionaria a implementação do sistema, demanda, aliás, debatida há pelo menos 12 anos na cidade.

Para o professor Gonzalo Vecina, da Faculdade de Saúde Pública da USP, os números de Russomanno, no entanto, são exagerados. “É certo que a informatização da rede ajuda a reduzir custos, mas 30%? Isso nem aqui nem na China”, afirma. Segundo o especialista, a contratação imediata de médicos, como propõem Marta Suplicy (PMDB) e João Doria (PSDB), dependerá das organizações sociais (OSs), que comandam mais da metade do sistema de saúde, para protesto de Luiza Erundina (PSOL), que promete rever os contratos. “O Estado sozinho não tem agilidade para fazer as contratações. As OSs são um avanço. Sem elas, ficaria muito difícil manter o SUS.”

O compromisso de tornar as escolas municipais em unidades de tempo integral reúne de novo Marta e Doria e, dessa vez, acompanhados de Major Olimpio (SD). Batido, o tema não exige só investimento financeiro, mas reestruturação da rede – são 111 escolas do tipo hoje de um total de 3.236 colégios – 3,5%.

O mesmo vale para a proposta de passar a cobrar a passagem do ônibus do passageiro antes do embarque, como no Metrô. Chamado de “embarque fácil” por Doria, o projeto é defendido por especialistas em transporte. “Acho que isso é mais velho do que eu. Na teoria, é o sistema perfeito, mas como implementá-lo em uma cidade cheia de ruas estreitas, como a nossa? A cobrança externa exige estações largas, normalmente em corredores modernos de ônibus que não temos”, diz o consultor Horário Figueira.

Complexas. Para o cientista político Rui Tavares Maluf, as propostas se repetem porque as demandas da cidade são muito complexas e de difícil solução. “Além disso, é preciso reconhecer que essas demandas não se resolvem durante um governo de quatro anos”, afirma. Para tornar a gestão mais eficiente, Maluf defende subprefeituras mais fortes, com gestores capacitados para identificar as necessidades e as prioridades locais.

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