Candidatos já negociam apoios para o 2º turno

Mesmo com disputa aberta pela proximidade entre os segundos colocados, petistas e tucanos acertam com nomes que já não têm condições de vencer

VERA ROSA , JULIA DUAILIBI E BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h05

A duas semanas da eleição para a Prefeitura de São Paulo, o PMDB, o PDT e até o minúsculo PRTB já amarram acordos e se aproximam dos candidatos com chances de disputar o segundo turno. A estratégia discutida nos bastidores das campanhas ficou evidente na segunda-feira, durante debate entre os concorrentes à cadeira de Gilberto Kassab (PSD), promovido pela TV Gazeta.

O candidato do PMDB, Gabriel Chalita, foi um dos que mais atacaram José Serra (PSDB), poupando o petista Fernando Haddad. Chalita está em quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Serra e Haddad duelam pela vaga para o segundo turno. Na lanterninha, o candidato do PDT, Paulinho da Força, intensificou a ofensiva contra Celso Russomanno (PRB), o líder das pesquisas que também "roubou" votos do eleitorado tucano.

Embora o PMDB do vice-presidente Michel Temer negue acordo para ajudar Haddad em troca de cargos no governo Dilma Rousseff, dirigentes do partido acham "natural" o apoio de Chalita ao PT, se o petista passar para a segunda rodada contra Russomanno. Na propaganda de TV, o candidato do PMDB já começou a adotar tom mais agressivo contra Serra.

Dilma disse a aliados que fará mudanças no ministério depois das eleições, com o novo mapa das urnas e suas respectivas forças políticas. O PMDB espera ganhar postos de maior visibilidade no primeiro escalão e Chalita, hoje deputado, poderá ser um dos contemplados.

Na seara do PT há quem pregue a saída de Gleisi Hoffmann da Casa Civil, no ano que vem, para que ela comece logo a pré-campanha ao governo do Paraná, em 2014. Nesse cenário, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT), poderia ser deslocado para a Casa Civil. Há rumores de que Chalita, no xadrez da reforma, ocuparia a Educação, mas Dilma não tem decisão tomada. Ele foi secretário da pasta no governo Geraldo Alckmin (2003-2006).

Em nota, o deputado estadual Baleia Rossi, presidente do PMDB paulista, negou qualquer barganha ou acordo com o PT e repudiou "especulações sobre uma suposta negociação" para Chalita assumir um ministério em troca do apoio a Haddad.

Dobradinha. De olho no segundo turno, o PSDB tenta atrair Paulinho para a campanha de Serra. Os dois fizeram dobradinhas nos dois últimos debates: o do Estadão/TV Cultura e o da TV Gazeta. A relação entre o sindicalista e o tucano não é das melhores. O governador Geraldo Alckmin, porém, tem atuado nos bastidores para que Paulinho apoie Serra. O deputado tem bom trânsito no Palácio dos Bandeirantes e emplacou Carlos Ortiz para comandar a Secretaria do Trabalho.

Nos dois últimos debates, Serra escolheu Paulinho para não polemizar sobre questões programáticas. "Eu sempre enfatizei o Metrô. Quais são suas propostas para o setor?", questionou Serra, na TV Gazeta.

No confronto da semana passada, o pedetista chegou até a elogiar projetos do tucano na área trabalhista. O Estado apurou que Alckmin telefonou para Paulinho e deu-lhe parabéns pelo desempenho naquele debate.

Coube ao candidato do PDT, também na segunda-feira, fazer o enfrentamento com Russomanno, que tem atraído eleitores de Serra. O pedetista usou informações que circulam no PSDB sobre votações de Russomanno na Câmara, quando ele era deputado federal, envolvendo direitos dos trabalhadores. Segundo a assessoria do PDT, o levantamento não foi repassado por outra campanha e foi feito pela equipe do partido no Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

"Eu sou como massa de bolo. Quanto mais batem em mim, mais cresço", disse Russomanno, em referência aos ataques orquestrados pelos adversários.

Levy Fidelix (PRTB) também ensaia aliança com Serra. Elogiado pelo tucano nos debates, ele procurou integrantes do PSDB, na tentativa de construir pontes com o candidato. Está previsto para hoje à tarde um encontro entre Levy e Alckmin, no Palácio dos Bandeirantes.

A candidata Soninha (PPS) é outra que deu pistas sobre como votará no segundo turno da disputa. "Até em você, Haddad, eu votaria, em oposição a Russomanno", afirmou ela, no debate da TV Gazeta. O petista abriu um sorriso e agradeceu o apoio.

Tucano. Por fazer propaganda no espaço destinado a vereadores, José Serra perdeu 20 segundos do horário eleitoral no rádio, determinou a Justiça Eleitoral

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