HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Candidatos falam em mudança na Petrobrás

Durante evento em São Paulo, presidenciáveis defendem nova regra para fixação de preço de combustíveis

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 00h27

Em evento organizado em São Paulo pela União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), os pré-candidatos à Presidência defenderam nesta segunda-feira, 18, mudanças na administração da Petrobrás e na atual política de preços dos combustíveis. Em meio aos reflexos provocados pela greve dos caminhoneiros, os presidenciáveis do PSDB, Novo, PDT, Rede, Solidariedade, PSL e MDB afirmaram, de diferentes formas, que é preciso mudar a gestão da estatal e estabelecer algum controle sobre os preços nas bombas – que hoje são fixados de acordo com a oscilação do petróleo no mercado internacional.

A maioria dos presidenciáveis foi ao evento acompanhada por assessores mais próximos. O tucano Geraldo Alckmin levou seu articulador político, anunciado na semana passada, Marconi Perillo, além do coordenador do programa de governo, Luiz Felipe D’Ávila, entre outros. Marina Silva (Rede), por sua vez, estava acompanhada do coordenador de campanha, João Capobianco, e do ex-presidente do Flamengo Bandeira de Melo, que hoje integra a Executiva Nacional da sigla. 

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Já o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro levou um grupo mais numeroso, incluindo militantes que aplaudiam a cada intervenção do deputado federal.

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‘Previsibilidade’. Alckmin cobrou novamente “previsibilidade” a definição dos preços da gasolina para os consumidores. “É preciso um colchão tributário e não pode ter aumento todo dia”, disse o tucano. 

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O mesmo termo “colchão tributário” foi utilizado por João Amoêdo, pré-candidato do Novo. Embora defenda a privatização completa da estatal, ele disse ser necessário algum controle do repasse do aumento dos preços para o consumidor, possivelmente por meio de uma escala móvel para a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide). A fixação de preços nas bombas, disse ele, deveria ser definida pela competição e, portanto, a estatal deveria ser desestatizada.

“Defendo reajuste quinzenal ou mensal para que as pessoas que trabalham na ponta tenham uma melhor ideia de como precificar”, disse Amoêdo.

‘Visão dogmática’. Marina também avaliou que “esses valores não podem ser repassados diretamente para o consumidor todos os dias”. Apesar de ser contra a privatização da estatal, ela defendeu uma melhor integração da Petrobrás na economia de mercado. 

“Nós pagamos um alto preço pela visão dogmática dos dois lados, um contra o mercado, outro a favor”, disse a pré-candidata, defendendo uma de suas maiores bandeiras, a diversificação da matriz energética. 

A polarização a que se refere Marina também foi criticada pelo ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do MDB, Henrique Meirelles. “A greve fez com que muitas pessoas começassem a se preocupar com as propostas dos candidatos dos extremos”, disse Meirelles. 

Para ele, de um lado há candidatos com propostas que representariam um retrocesso na administração das contas públicas; de outro, nomes mais preocupados em defender mudanças no Estatuto do Desarmamento, numa referência direta a Jair Bolsonaro (que já defendeu publicamente a revogação do estatuto). 

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Litro. Também ex-ministro da Fazenda, o pedetista Ciro Gomes apresentou uma proposta mais consolidada de como controlar os preços da estatal e foi o único a prometer valores.

“Na prática, o litro de gasolina custaria entre R$ 2,80 e R$ 3 comigo”, afirmou Ciro, defendendo que a estatal tenha uma política de reajustes com base nos custos de produção e lucros em linha com a concorrência. Durante sua palestra, o presidenciável citou também que considera justo um patamar de lucro de 3% em relação à receita da Petrobrás – a qual, segundo defende, deve continuar sob tutela do Estado. “Ninguém ganha lucro de 20%, 30%, como o senhor Pedro Parente (ex-presidente da Petrobrás) fez agora.”

Com propostas que chamou de cunho “desenvolvimentista”, o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, pré-candidato do Solidariedade à Presidência, defendeu que haja “intervenção menor no esforço do Brasil de produzir”.

Já Bolsonaro voltou a criticar o governo pela condução das negociações para colocar fim à greve dos caminhoneiros. O pré-candidato adotou um discurso liberal, mas sem se comprometer com propostas que pudessem representar a venda do controle acionário da Petrobrás. “Vamos fazer um governo com a menor interferência do Estado”, disse. / MARIANNA HOLANDA, GILBERTO AMENDOLA, CAMILA TURTELLI e DANIEL WETERMANN 

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