Alf Ribeiro/Futura Press
Alf Ribeiro/Futura Press

Candidatos em Ribeirão Preto ignoram prisão de Palocci e concentram ataques em atual prefeita

Principal foco dos postulantes à Prefeitura é a Operação Sevandija, deflagrada em 1º de setembro pelo Ministério Público e pela Polícia Federal para a investigação de desvios de recursos públicos estimados em R$ 203 milhões 

Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2016 | 14h14

RIBEIRÃO PRETO - A prisão na última segunda-feira, 26, da maior liderança política da história de Ribeirão Preto (SP), o ex-prefeito e ex-ministro Antonio Palocci, foi ignorada pelos candidatos a prefeito do município paulista. Na prática, o cenário não mudou desde o início da campanha. Pela primeira vez desde a eleição de 1992, quando estreou na prefeitura ribeirão-pretana, Palocci não vinha tendo sequer influência na disputa local. O foco dos principais candidatos é a Operação Sevandija, deflagrada em 1º de setembro pelo Ministério Público e pela Polícia Federal para a investigação de desvios de recursos públicos estimados em R$ 203 milhões.

Líder nas duas pesquisas de intenções de voto divulgadas até agora pelo Ibope, o vereador Ricardo Silva (PDT) se tornou o alvo dos candidatos que ocupam a segunda e terceira colocações nos levantamentos, respectivamente o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB) e o juiz aposentado João Gandini (PSB). A PF e o Ministério Público não informam se Silva está sendo investigado oficialmente na operação, mas bastaram as iniciais "RS" surgirem em listas e que supostamente seriam de beneficiados de propina, para os ataques começarem.

Curiosamente, as listas eram anotações feitas em notas de R$ 2 recolhidas pela PF na residência de um empresário preso na operação. Por conta do pequeno espaço das notas, apenas iniciais aparecem na relação. O assunto consome grande parte do programa eleitoral de Nogueira no rádio e a totalidade do feito por Gandini no rádio e na televisão, hoje (27).

O tucano reproduz o áudio de acusações contra Silva veiculadas em emissoras locais e ainda o seu candidato a vice-prefeito, o promotor público Carlos Cézar Barbosa (PPS), ataca o adversário. "Ricardo Silva tem de dar explicações, porque as investigações da PF apontam a ligação dele", diz Barbosa. Gandini, o outro adversário, pede que "Ricardo Silva não se faça de vítima, seja homem a assuma suas atitudes".

Silva destinou parte do tempo dos seus programas para se defender dos ataques. Ele nega acusações dos adversários e afirma que sempre foi oposição ao governo e à prefeita Dárcy Vera (PSD), investigados pela Operação Sevandija. O candidato sugere ainda que as notas de R$ 2 foram plantadas na residência do empresário preso, pois foram apreendidas apenas na segunda visita feita ao local. "Há falsidade grosseira do material encontrado para prejudicar Ricardo Silva, que pediu perícia nas notas e seguirá apresentando propostas", diz a locutora, "Para impedir que eu vença eleição os adversários fazem de tudo. A perícia vai comprovar essa armação", emenda Silva.

Entre os ataques feitos a Nogueira, o vereador e candidato do PDT relata que o nome do deputado federal foi citado na Operação Alba Branca, que investiga o desvio na merenda no Estado de São Paulo, bem como surgiu na lista de políticos que teriam recebido recursos da Odebrecht, investigada na Lava Jato. Como faz desde o começo da campanha, Nogueira também utilizou o seu vice e o promotor de Justiça para negar essas acusações.

Alheio ao tema, o único candidato interrogado na Operação Sevandija, Wagner Rodrigues (PCdoB), utilizou em seu programa de rádio uma declaração de apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pedindo voto para ele. O ex-presidente já havia participado do programa de Rodrigues na TV no sábado, 24. Em mensagem, fez referência ao governo de Michel Temer (PMDB) e disse que “estão tentando acabar com as conquistas do povo”.

Rodrigues tem como candidato a vice o advogado e funcionário público Fernando Tremura (PT), na primeira vez que o Partido dos Trabalhadores não encabeça uma chapa desde que foi fundado. Ainda na televisão, Rodrigues criticou o fechamento, pelo governo do Estado, de uma creche na Universidade de São Paulo (USP) para atacar Nogueira, do PSDB.

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