Candidatos do PSD são os mais ricos

Em média, patrimônio pessoal declarado à Justiça Eleitoral pelos postulantes do partido criado por Gilberto Kassab é de R$ 3,5 milhões

RODRIGO BURGARELLI, Estadão Dados

15 de julho de 2014 | 02h02

O partido que não é nem de esquerda, nem de direita nem de centro, segundo seu fundador, é o que concentra os candidatos mais ricos do País nestas eleições. Em média, o patrimônio pessoal dos postulantes a um cargo público pelo PSD, criado em 2011 pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, é de R$ 3,5 milhões - mais de quatro vezes maior que a média de todos os partidos.

Logo em seguida no ranking vêm PSDB e PMDB, com patrimônio médio de R$ 2 milhões e R$ 1,7 milhão, respectivamente. O outro partido que completa as quatro maiores bancadas da Câmara, o PT, têm candidatos bem menos ricos que esses. A sigla vem em 16.º no ranking entre os 32 partidos que estão disputando cargos de deputado estadual, federal, senador, suplente, governador e presidente, com média de riqueza acumulada de R$ 480 mil.

Os números são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foram informados pelos próprios candidatos, conforme exigem as regras eleitorais. Eles têm limitações claras: é comum a declaração de bens com valor abaixo do real e costuma haver omissão de tudo que não está no nome da pessoa. Mesmo assim, podem servir para apontar tendências quando analisados em agrupamentos como o dos partidos.

A série histórica eleitoral corrobora essa tese. Em 2006 e 2010, o PMDB e o PSDB também apareceram entre os cinco mais ricos, com a companhia do DEM. Todos eles viram seu patrimônio médio cair de lá para cá - em parte, por causa da adesão de quadros milionários ao partido kassabista.

Grana. O carioca Ronaldo Cezar Coelho é um desses casos. Com R$ 553 milhões declarados em bens, o ex-tucano é o candidato mais rico nestas eleições. Outros dois dos cinco políticos mais ricos que concorrem em 2014 também são do PSD: o alagoense João Lyra, com R$ 247 milhões e o paranaense Joel Malucelli, com R$ 236 milhões.

Para o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, isso não significa que para concorrer pelo partido é preciso ser milionário. "Esses três candidatos puxam a média muito para cima. Eles não vieram para o PSD porque são ricos, mas sim pela conjuntura própria de cada Estado."

Ainda assim, a mediana da riqueza dos candidatos do PSD - valor que representa o patrimônio do político que está exatamente na metade entre os mais ricos e os mais pobres - é a terceira maior e está 84% acima da média. Os dois primeiros nesse quesito são PMDB e PSDB.

O ex-professor da USP e Unicamp Leôncio Martins Rodrigues defende que há uma relação entre ideologia partidária e riqueza. "Não é à toa que esses partidos ditos mais à direita têm mais ricos, assim como os mais à esquerda têm menos. Isso, inclusive, pode ser um trunfo para conquistar um eleitor mais pobre", disse.

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