Nelson Almeida/AFP
Nelson Almeida/AFP

Candidatos declaram R$ 2,6 milhões com WhatsApp

Empresas contratadas por campanhas disparam até 1 milhão de mensagens por vez

Luiz Fernando Toledo e Pepita Ortega, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 05h00

Correções: 19/10/2018 | 18h27

Candidatos nas eleições 2018 declararam oficialmente gastos de ao menos R$ 2,6 milhões para impulsionar, em grande escala, conteúdo de suas campanhas por meio do WhatsApp. Foram contratados serviços de disparo de até 1 milhão de mensagens de uma só vez de uma série de empresas e até a compra de listas de telefones – o que é ilegal.

O valor está subnotificado. Para fazer o levantamento, o Estado considerou somente os casos em que o próprio candidato especificou o nome “WhatsApp”. Mas é comum que as campanhas paguem por esse mesmo tipo de trabalho e o descrevam como “impulsionamento.” Neste caso, o total de despesas foi de R$ 67 milhões até o momento – a maior parte foi para o Facebook, o que não é ilegal. Os dados também ainda estão sendo atualizados.

A legislação eleitoral (Lei das Eleições) impede que empresas cedam cadastros eletrônicos em favor de candidatos. O WhatsApp já excluiu centenas de milhares de contas no período eleitoral deste ano no Brasil por este tipo de prática.

O candidato que mais gastou com o serviço de maneira declarada foi Geraldo Alckmin (PSDB), que afirmou ao TSE ter gasto R$ 495 mil com a contratação da PagEletro para o disparo de mensagens via WhatsApp. O proprietário da empresa, Pedro Freitas, diz que só foi responsável pelo disparo de conteúdo a partir de um banco de dados da campanha. A assessoria do candidato destacou que a empresa presta serviços de "desenvolvimento e licenciamento de programas de computador sob encomenda; suporte técnico, manutenção e outros serviços de tecnologia da informação; portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet”, entre outros". Lembrou ainda que a Justiça eleitoral somente tornará disponível a informações sobre gastos totais após a entrega final da prestação de contas.

Por R$ 50 mil, o candidato ao Senado Dinis Pinheiro (Solidariedade-MG) contratou o envio de 1 milhão de mensagens – número mais alto dentre os candidatos. A reportagem não conseguiu contatá-lo.

Alexandre Nascimento Ferreira, proprietário da Proximesenger Tecno, afirma que trabalhou em cerca de 35 campanhas este ano. Ferreira diz que já foi abordado até para o compartilhamento de fake news, mas negou o serviço.

Segundo funcionário de outra empresa, há listas oferecidas a partir de informações compradas de fornecedores de bancos de dados, privados ou públicos, que podem ser filtrados até por cidades-alvo.

Os serviços oferecidos são diversos. Há de “assessoria de inteligência” a “aluguel de plataforma informatizada” que faz esse tipo de serviço. Outra forma de viralizar as informações é por meio de SMS – foram feitas ao menos 144 compras do tipo. Em uma das empresas consultadas, o envio de 20 mil mensagens custa R$ 139,90 por mês. Depois disso, paga-se mais R$ 4,90 a cada 1 mil extras.

 

Correções
19/10/2018 | 18h27

Ao contrário do que informava o primeiro texto, o candidato Geraldo Alckmin gastou R$ 495 mil, e não R$ 991 mil, com serviços de Whatsapp. A base em que os dados foram baixados, do repositório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostrava o valor duas vezes. Após contato da assessoria do candidato, a informação foi corrigida.

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