Candidatos declaram ao TSE gastos de R$ 2 bilhões

Número deve ser ainda maior já que campanhas têm até 17 de novembro para finalizar acertos com a Justiça Eleitora

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2018 | 18h57

BRASÍLIA – Apesar de ser considerada as eleições do WhatsApp e das redes sociais, candidatos ainda concentraram a maior parte dos seus gastos em publicidade de papel e na produção de programas de rádio e televisão neste ano. Até a última sexta-feira, os candidatos declararam gastos de campanha de R$ 2,013 bilhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Este número deve ser ainda maior, já que as campanhas têm até o próximo dia 17 de novembro para finalizar suas declarações de contas à Justiça Eleitoral. Do total empenhado e declarado até o momento, cerca de R$ 400 milhões, ou 20%, foram usados para pagar publicidade por material impresso e R$ 283 milhões, ou 14%, para produção de programas de rádio, televisão e internet. 

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, declarou até o momento despesas de R$ 34 milhões, com quase a metade destinado para as produções midiáticas. O adversário do petista, Jair Bolsonaro (PSL), apontou até o momento despesas totais de R$ 1,7 milhão, com R$ 660 mil para a produção de programas. 

Modelo. A importância das produções midiáticas foi ainda maior entre os candidatos que concorrem ao segundo turno. Dos 30 que ainda disputam as eleições, este gasto correspondeu a 35% do total de despesas. “Precisamos entender que essas eleições realmente quebraram um paradigma de modelo de campanha e nem todos os candidatos compreenderam isso”, afirma o cientista político André Felipe Rosa. 

Para Rosa, caso a campanha do candidato a presidente derrotado Geraldo Alckmin (PSDB) tivesse sido elaborada em 2014, o tucano teria muito mais chance de estar no segundo turno. Alckmin declarou despesas de R$ 53,35 milhões. O ex-governador de São Paulo tinha mais de cinco minutos de tempo em cada bloco de televisão no primeiro turno e destinou 28%, ou R$ 15 milhões, para programas de televisão e rádio, mais de 20 vezes o valor declarado por Bolsonaro até o momento para o mesmo propósito. 

“A utilização dos aparelhos e das tecnologias mudaram. Hoje seus avôs estão nas redes sociais também”, diz Rosa. Para o analista, o pleito deste ano deve provocar mudanças significativas nas próximas campanhas eleitorais.

PARA ENTENDER: Limite depende de cada cargo

Segundo as regras estabelecidas pelo TSE, os limites de gastos para as campanhas eleitorais de 2018 variam de acordo com o cargo disputado pelos candidatos.

Cada campanha para presidente da República pôde gastar até R$ 70 milhões no primeiro turno das eleições. Já os candidatos que chegaram ao segundo turno, podem gastar mais R$ 35 milhões. Para candidatos a deputado federal, o limite é de R$ 2,5 milhões e para deputados estaduais (ou distritais), de R$ 1 milhão. 

Os limites para candidatos a governador e senador variam conforme o tamanho do eleitorado de cada Estado. Em unidades da federação com até um milhão de eleitores, o teto na disputa ao governo é de R$ 2,8 milhões e ao Senado, de R$ 2,5 milhões. No outro extremo, os candidatos a governador de São Paulo – maior colégio eleitoral do País – podem gastar até R$ 21 milhões em suas campanhas (com acréscimo de R$ 10 milhões no caso de segundo turno). Os candidatos ao Senado pelo Estado puderam gastar até R$ 5,6 milhões.

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