Candidatos dão ênfase a 'questões pontuais', dizem analistas

Cientista político, médico e arquiteto lamentam falta de visão ampla sobre os problemas mais críticos da cidade

DÉBORA ÁLVARES, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h06

Um cientista político, um arquiteto e um médico convidados a acompanhar o debate na redação do Estado concluíram, ao final, que faltou, de modo geral, uma visão mais ampla da cidade e de seus problemas, pois os projetos mencionados foram debatidos como questões pontuais. Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, Celso Russomanno "saiu-se bem, é um homem de mídia" e ficou de espectador no debate entre Serra e Haddad.

O arquiteto Gilberto Belleza, do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), sentiu falta de "preocupação urbana" quando se falou de calçadas ou de represas. E Casemiro Reis, presidente da Federação dos Médicos do Estado (Femesp), captou diferenças importantes nas visões de Serra e Russomanno sobre a saúde.

Melo viu, no iníci0 do debate, certa proeminência de Celso Russomanno. "Parecia que ia haver um massacre contra o primeiro colocado, mas ele se mostrou calmo e preparado", disse.

Quando Serra, poucos minutos depois, respondeu a um internauta sobre as calçadas da cidade, o arquiteto Belleza ponderou: "Se não pensar a rua, as calçadas, não adianta. Enquanto não houver uma preocupação urbana, não haverá solução".

Belleza chamou a atenção para dois temas. "Um deles são as represas e sua poluição. (Essa questão) não pode ser tratada apenas como questão de saneamento, recuperação de margens, retirada de loteamentos clandestinos." E sobre as calçadas: "Se formos pensar calçadas exclusivamente como território do morador, não vamos avançar. Temos que pensar como integrante da rua, do paisagismo, da arborização, das construções".

O médico Casemiro Reis observou que a discussão sobre saúde estava sendo focada "pela questão hospitalocêntrica". O que se precisa é "organizar uma rede de atenção básica perto da moradia da população. Não faltam médicos, faltam bons salários e planos de carreira". Para o médico, a assistência ao setor "é hoje insuficiente, não tem cobertura populacional abrangente. Há alguns serviços de excelência, mas são limitados".

O arquiteto Belleza criticou uma proposta de Paulinho (PDT) de diminuir imposto para a empresa que se instalar na periferia: "Ela não se sustenta sozinha. As empresas não estão no centro por causa de impostos, mas porque lá elas têm estrutura e os aluguéis são baratos".

No bloco dedicado às perguntas dos jornalistas, Melo ressaltou o confronto mais direto entre Serra e Haddad. "A experiência de Serra, mais calmo, deve ter lhe valido uma presença melhor." Ele se saiu bem, ponderou, "ante a provocação do petista quando se falou da indicação de Marta Suplicy para o Ministério da Cultura". Russomanno "navegou à vontade, como espectador", nesse embate.

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