Candidatos chegam à reta final dosando as táticas da pancadaria e da vitimização

Nos seis dias que faltam para os brasileiros decidirem quem governará o País nos próximos quatro anos, Dilma Rousseff e Aécio Neves se acusam de promover campanhas de baixo nível e tentam, agora, remodelar discurso

O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2014 | 02h04

A partir desta segunda-feira, serão seis dias para que os candidatos ao Planalto convençam a maioria dos eleitores sobre o que fazer diante da urna. O clima tenso não deve se dissipar, mas a beligerância motivada pela indefinição do cenário eleitoral será mesclada com uma nova estratégia já colocada em prática: a da vitimização.

Dilma Rousseff foi a público no domingo dizer em entrevista que o adversário “precisa aprender a respeitar as mulheres”. Já os tucanos contaram com uma entrevista emocionada da irmã de Aécio Neves, Andréa, na qual ela acusou o PT de atacar sua família de forma “covarde e desleal”.

Além do palanque eletrônico de rádio e TV, os candidatos terão mais um debate, o da TV Globo, marcado para sexta-feira. No domingo, na TV Record, Dilma e Aécio tentaram se concentrar em propostas em vez de explorar os ataques pessoais, algo que marcou o confronto anterior da dupla, na semana passada, no debate do SBT. As acusações envolvendo a Petrobrás, porém, não ficaram de fora, assim como outras denúncias envolvendo gestões petistas e tucanas.

Nas viagens finais, os dois candidatos também vão priorizar o Sudeste, região onde está a maioria dos eleitores do País. Dilma iniciará sua agenda com foco em São Paulo, local onde teve votação bem abaixo do esperado no 1.º turno. Já Aécio mantém a aposta de investir em Minas, onde, ao contrário do que esperavam seus aliados, ficou atrás da petista na primeira etapa da disputa.

Enquanto isso, o Tribunal Superior Eleitoral tenta reduzir os ataques nas propagandas de rádio e TV após adotar um entendimento mais rigoroso. Desde quinta-feira passada, quando os ministros da corte concluíram que era preciso fazer algo diante do “baile do risca-faca” que estava se tornando o palanque eletrônico - o termo foi usado pelo presidente do tribunal, ministro José Antonio Dias Toffoli -, várias peças eleitorais foram retiradas do ar.

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Tucanos falam em trégua, mas mantêm 'bateu levou'

Estratégia de se colocar como vítima dos petistas é explorada, mas não é vista como algo suficiente para aplacar ofensiva rival

PEDRO VENCESLAU, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2014 | 02h00

Diante da constatação de que a campanha de Dilma Rousseff está focada em ampliar os índices de rejeição de Aécio Neves, os tucanos tentarão nos últimos dias da disputa empurrar para a presidente o ônus de ter baixado o nível nos debates e na propaganda eleitoral. Ao mesmo tempo, reforçarão o discurso de que o candidato tucano e seus familiares são vítimas de ataques pessoais sem fundamento. No domingo, a reclusa Andréa Neves, irmã mais velha de Aécio, deu até entrevista para criticar o “baixo nível” dos petistas.

O núcleo político tucano avalia, porém, que não adianta apenas adotar a estratégia de vitimização, bastante usada por Marina Silva (PSB) no 1.º turno.

Apesar dos constantes apelos por trégua nos ataques feito por Aécio nos debates de TV, a ordem no comitê é “bateu, levou”. “Tudo depende de como a presidente vai vir nesta reta final. Se ela insistir nas agressões, terá uma resposta à altura”, diz o senador José Agripino (DEM-RN), coordenador geral da campanha.

Apesar da preocupação com o desgaste do embate frontal com Dilma, que pode empurrar votos antipetistas para o campo “nulo”, o estafe do tucano está reunindo munição para a batalha. 

Um deles é o fato de Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, ex-marido da presidente, ter trabalhado como funcionário comissionado da prefeitura de Belo Horizonte na gestão de Fernando Pimentel, que também empregou Igor Rousseff, irmão de Dilma. As críticas mais incisivas serão feitas pelo rádio, onde há menos exposição da coligação. Já a TV será usada para os ataques institucionais - ou seja, críticas à gestão.

A campanha tucana também se prepara para rebater os disparos feitos pelo PT sobre a crise hídrica em São Paulo, onde o PSDB aposta em ampliar para 7 milhões a vantagem de Aécio sobre Dilma. “Nunca houve na história deste País uma estiagem como essa. O setor elétrico também está sofrendo com a falta de água”, diz o ex-governador Alberto Goldman, coordenador da campanha em São Paulo. “Nós já sabíamos que eles fariam isso e estamos preparados para os ataques, que serão multiplicados ao máximo nos últimos dias.”

Nas viagens, Aécio jogará suas fichas no Sudeste, especialmente em Minas, berço político do candidato e onde ele perdeu por cerca de 400 mil votos no 1.º turno, e no Rio, onde o tucano buscará os votos antipetistas que foram da hoje aliada Marina.

As únicas agendas de Aécio fora do eixo do Sudeste serão uma visita a Belém nesta segunda-feira, depois de sair de Minas, e Goiânia e Campo Grande, na quarta. Nas três cidades, será recebido por aliados em grandes manifestações públicas. Os tucanos também consideram que o debate da Rede Globo na sexta-feira pode decidir a eleição. Por isso, Aécio vai dedicar boa parte de sua agenda para se preparar para o embate com Dilma na emissora de maior audiência do País. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

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Petistas atacam para tentar aumentar a rejeição de rival

Dilma afirma que Aécio'precisa aprender a respeitar as mulheres';comitê diz que partido só reage a 'ódio eleitoral'

RICARDO GALHARDO, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2014 | 02h00

A campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff chegou à conclusão de que há poucas chances de obter mais apoiadores daqui até o dia da votação, no domingo que vem, razão pela qual não pretende abandonar os ataques ao adversário Aécio Neves. Com isso, o comitê petista espera aumentar a rejeição do adversário, reduzindo suas chances.

A tática da vitimização, já ensaiada no final da semana passada com discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também será explorada.

A própria Dilma entrou no assunto no domingo, antes do debate da TV Record. Disse que Aécio precisa “aprender a respeitar as mulheres”. “Com mulher não pode ser assim”, disse.

Na internet, o comitê de Dilma lançou a campanha “Mais Dilma, Mais Amor”, na qual combate o “ódio eleitoral” e usa como exemplos casos de petistas agredidos nas ruas por tucanos nas últimas semanas. 

Os petistas tem uma preocupação especial com o debate da TV Globo, nesta sexta-feira, que classificam como decisivo. “Sempre tem aquele impacto”, diz o presidente do PT, Rui Falcão.

Enquanto isso as propagandas na TV e principalmente no rádio e na internet continuam divulgando denúncias contra Aécio. No domingo, um texto sobre a “dificuldade de Aécio em respeitar as mulheres” teve destaque especial na página da campanha da petista na internet.

Os integrantes do comitê da campanha à reeleição estão guardando munição contra o tucano. Afirmam que Dilma “não vai apanhar calada” caso seja agredida pelo adversário.

Em outra frente, o PT vai tentar atrair o eleitorado que votou em Marina Silva (PSB) no 1.º turno. O principal alvo é a classe média que historicamente votava no PT e nesta segunda-feira rejeita o partido.

Para isso a campanha de Dilma convocou artistas e intelectuais para um ato nesta segunda-feira no Tuca – histórico teatro na PUC de São Paulo –, com a presença de intelectuais petistas, além de reforços de última hora, como o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, fundador do PSDB, e o antigo desafeto Francisco Oliveira, cientista político que estava afastado do PT desde o início do governo Lula, em 2003.

Nas viagens, o foco da campanha será o Sudeste, com destaque para São Paulo, onde o PT sofreu uma derrota acachapante no 1.º turno – obteve apenas 26% dos votos. A estratégia é explorar a crise de abastecimento de água, como fez na propaganda eleitoral na TV domingo. “Mostraremos propostas para saúde e emprego, mas em São Paulo é água, água e água”, diz o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Para consolidar a liderança no Nordeste, Dilma vai colar sua imagem à de Lula. Ambos participarão de ato no centro do Recife na terça-feira. A ministra da Cultura, Marta Suplicy, finalmente foi convencida a se integrar à campanha. Ela vai ao evento no Tuca e deve participar de atividades na periferia da capital paulista. / COLABOROU ISADORA PERON

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