Reprodução/ TV Senado
Reprodução/ TV Senado

Candidatos ao Senado em Mato Grosso disputam apoio de Bolsonaro

Eleição é pela cadeira da ex-senadora Juíza Selma (Pode), cassada pela Justiça Eleitoral

Pedro Caramuru e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 10h28

A eleição para uma vaga no Senado em Mato Grosso desencadeou também uma disputa pelo apoio do presidente Jair Bolsonaro. Pelo menos seis candidatos tentam surfar na proximidade com o Palácio do Planalto para atrair votos no pleito, mesmo com Bolsonaro tendo declarado apoio à candidata Coronel Fernanda (Patriota). A eleição é pela cadeira da ex-senadora Juíza Selma (Pode), cassada pela Justiça Eleitoral. É a primeira vez desde 1982 que há eleições simultâneas para os cargos de prefeito, vereador e senador no Estado.

Entre os 11 nomes na disputa, Carlos Fávaro (PSD) tenta se manter no cargo até o fim do mandato, em 2026. O senador, terceiro lugar nas eleições de 2018, tomou posse no lugar de Selma com um mandato-tampão até que nova eleição pudesse ser realizada para os seis anos restantes. De acordo com a Procuradoria Regional Eleitoral, o parlamentar é investigado pela Polícia Federal por suposta dívida com uma gráfica, contratada no período eleitoral em 2018, e suspeita de caixa 2. Em nota, o senador reforçou que não responde a nenhum processo criminal e disse que segue "como sempre esteve, à disposição para colaborar em caso de investigação por parte de qualquer órgão".

Fávaro se aproximou de Bolsonaro durante o mandato e, mesmo sem ter indicado emendas parlamentares no Orçamento federal, intermediou a destinação de recursos diretos liberados pelo Executivo para combate à covid-19. O parlamentar do PSD passou a publicar fotos ao lado de Bolsonaro nas redes sociais e tentou o apoio explícito do chefe do Planalto para a disputa. Ligado ao agronegócio, é apoiado pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), e pelo ex-ministro Blairo Maggi, que ficou fora da disputa.

A eleição traz veteranos disputando a vaga. Nilson Leitão (PSDB), ex-deputado federal, e Pedro Taques (Solidariedade), ex-governador e ex-senador, tentam voltar ao protagonismo nacional. O tucano, por exemplo, é apoiado pelos outros dois senadores mato-grossenses, Jayme Campos (DEM) e Wellington Fagundes (PL). Recentemente, Campos e Fagundes gravaram um vídeo de apoio a Leitão nos corredores do Senado.

O deputado federal José Medeiros (Pode) e os estaduais Sargento Elizeu Nascimento (DC) e Valdir Barranco (PT) também buscam "subir" de nível na política nacional e chegar ao Senado por meio da eleição suplementar. Medeiros já foi senador, mas, com dificuldade de conseguir votos em 2018, foi candidato à Câmara dos Deputados naquela eleição. Agora, tenta voltar ao Salão Azul propagandeando aliança com Bolsonaro e criticando a esquerda. O deputado é um dos vice-líderes do governo na Câmara.

Entre os candidatos que devem disputar o voto dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, estão o vice-líder do governo na Câmara, José Medeiros, o empresário Reinaldo Morais (PSC), o deputado estadual Sargento Elizeu Nascimento (DC) e Coronel Fernanda (Patriota), nominalmente citada pelo presidente durante as transmissões semanais e para quem Bolsonaro pediu votos.

O chefe do Executivo fez uma transmissão ao vivo surpresa no último sábado, 7, ao lado da candidata. Carlos Fávaro e Nilson Leitão, ligados ao agronegócio, também cortejam o eleitorado bolsonarista. "Aqui em Mato Grosso, o bolsonarismo vai um pouco para a questão do combate à corrupção, bem pouco, mas o foco é o agronegócio e a agropecuária", afirmou o analista político Vinícius de Carvalho Araújo.

Intenção de votos

Pesquisa do Ibope divulgada na última quarta-feira, 4, mostra seis candidatos com chance de vitória na disputa pelo Senado em Mato Grosso, considerando as intenções de voto a 10 dias da eleição. Fávaro, Leitão e Taques tinham 13% das intenções de votos empatados numericamente na primeira colocação. 

Pela margem de erro de três pontos porcentuais, para mais ou para menos, havia ainda empate técnico com Procurador Mauro (PSOL), com 9%, Coronel Fernanda, com 8%, e no limite, José Medeiros, com 7%. Na sequência, apareciam Sargento Eliseu com 5%, Valdir Barranco (PT) com 4%, Euclides Ribeiro com 2% e Morais com 1%. A quantidade de brancos e nulos (9%) e indecisos (15%) indica que o cenário poderia mudar radicalmente.

A pesquisa foi realizada entre os dias 29 de outubro e 4 de novembro pelo Ibope a pedido da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio-MT). O levantamento foi registrado no TSE sob inscrição MT-08527/2018

Na avaliação de Araújo, a eleição para o Senado está "muito diluída", uma vez que grande parte das atenções recaiu sobre a disputa municipal. "É diferente de uma eleição geral, em que a temática nacional é muito presente", afirmou. A escolha de um único candidato para o Senado este ano deve favorecer os nomes mais bem consolidados, afirma o analista político. "Em Mato Grosso, toda eleição com duas vagas, um dos dois eleitos é uma surpresa, um azarão que não era favorito e correu por fora", disse.

"A Serys Slhessarenko (PT) foi assim em 2002. O próprio Pedro Taques em 2010 foi eleito assim e a Selma em 2018. De oito anos em oito anos, que é quando é feita a eleição [para o Senado] de duas vagas, acontece isso", continua o analista. "Já na eleição de uma vaga é diferente: em geral ganham aqueles que têm mais estrutura, mais densidade eleitoral e capital político."

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