Calyton Cristus/Assembleia Legislativa Tocantins
Calyton Cristus/Assembleia Legislativa Tocantins

Candidatos acumulam R$ 65,7 milhões de déficit nas campanhas

Entre os sete com déficit parcial acima de R$ 1 milhão, os líderes são o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, com R$ 6,1 milhões, seguido pelo candidato ao governo do Tocantins Mauro Carlesse (PHS), com R$ 2 milhões

Breno Pires e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 16h06

BRASÍLIA - A menos de uma semana do primeiro turno das eleições 2018, campanhas de 1.670 candidatos acumulam R$ 65,7 milhões de saldo negativo entre o que arrecadaram até agora e as despesas contratadas. Entre os sete com déficit parcial acima de R$ 1 milhão, os líderes são o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, com R$ 6,1 milhões, seguido pelo candidato ao governo do Tocantins Mauro Carlesse (PHS), com R$ 2 milhões.

O balanço parcial feito pelo Estado considera dados da Justiça Eleitoral obtidos até a semana passada. Candidatos têm até 30 dias após a data da eleição para quitar dívidas e, nesse período, podem continuar arrecadando recursos exclusivamente para honrar os débitos. Para quem concorre no primeiro turno, o prazo se encerra em 5 de novembro. Caso ainda haja dívidas, caberá ao partido arcar com os débitos das campanhas.

Doria já contratou R$ 14,1 milhões em despesas. Seu maior prestador de serviço em valores é a Digital 21 Produções Artísticas, responsável por elaborar programas de televisão e rádio, por R$ 3,6 milhões. O candidato contratou R$ 2,67 milhões em serviços de uma empresa de marketing político chamada “Voto Estratégico 2018”. A maior parte dos R$ 7,8 milhões que o candidato já arrecadou vem da Direção Nacional do PSDB: R$ 4,8 milhões. A assessoria de Doria destacou que o balanço é parcial.

Dos R$ 3,7 milhões que a campanha de Carlesse já contratou, as três despesas mais altas são de serviços de contabilidade, consultoria jurídica e produção de programas de audiovisual. A assessoria do candidato disse que a coligação “deverá receber doações dos partidos que a compõem, bem como dos integrantes da chapa”. “Todos os gastos contratados seguem um planejamento e serão todos quitados dentro do prazo legal.” 

O cientista político Murillo de Aragão avalia que o endividamento pode estar relacionado, de um lado, a um decréscimo na arrecadação de recursos com o fim das doações empresariais e, de outro, a uma priorização que os partidos têm feito na destinação do fundo eleitoral para candidatos ao Legislativo.

“Como hoje o que define a verba que o partido recebe é o tamanho da bancada, eles estão repassando recursos para deputados tentarem se reeleger e engordar a bancada”, disse. Aragão projeta dificuldade para campanhas não ficarem no vermelho. “Eles vão ter que começar a fazer vaquinhas ou ficar pendentes. Muitos carregam dívidas para a frente”, comentou Aragão.

Diferenças

Com saldo negativo variando entre R$ 1 milhão e R$ 1,9 milhão, estão os governadores candidatos à reeleição em Alagoas, Renan Filho (MDB), e em Minas, Fernando Pimentel (PT), o candidato ao Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG), o senador Wellington Fagundes (PR-MT), que busca o governo de seu Estado, além do candidato a governador do Rio Grande do Norte Carlos Eduardo Alves (PDT). 

A arrecadação parcial de Pacheco, de R$ 2,2 milhões, sequer cobre o valor do contrato com a agência de publicidade “2018 Comunicação SPE LTDA”, de R$ 2,5 milhões. A assessoria de imprensa diz que a campanha continua em busca por doações, lembra que ainda há prazo e diz que tudo está dentro da normalidade. 

A campanha de Pimentel disse que “não terá qualquer problema para quitar seus compromissos”. A assessoria de Renan Filho disse que todos os compromissos com os fornecedores serão cumpridos. A reportagem não conseguiu contato com Wellington Fagundes. A assessoria de Carlos Eduardo não respondeu até a conclusão desta edição.

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