Epitácio Pessoa / Estadão
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Candidatos a prefeito de Campinas têm arrecadação recorde

Juntos, Dario Saadi (Republicanos) e Rafa Zimbaldi (PL) já captaram até agora mais do que foi arrecadado em toda a campanha de 2016; segundo especialista, valor expressa força eleitoral dos partidos envolvidos nas coligações

Claudio Liza Jr. / Especial para o Estadão, Campinas

10 de novembro de 2020 | 16h39

CAMPINAS - Duas campanhas à prefeitura de Campinas já superam este ano, juntas, o arrecadado por todos os nove candidatos da eleição de 2016 na cidade. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-secretário de Esportes Dário Saadi (Republicanos) e o deputado estadual Rafa Zimbaldi (PL) somavam R$ 6 milhões em receita até esta terça, 10, com R$ 3,1 milhões e R$ 2,8 milhões, respectivamente. Na eleição passada, todas as campanhas somaram R$ 4,6 milhões e a maior receita foi do prefeito reeleito Jonas Donizette (PSB), com R$ 3,3 milhões. Na corrida atual, o partido do prefeito apoia a coligação de Saadi.  

Os dois candidatos também têm as maiores alianças partidárias. O deputado é apoiado por PSDB, SD, PSC, PP, Pros, Podemos e Avante; e o ex-secretário, PSB, MDB PSL e DEM. No geral, das 14 candidaturas, já foram declarados R$ 8,9 milhões em receitas, quase o dobro de 2016.

“O volume de recursos dessas duas candidaturas chama a atenção, mas resulta das regras de financiamento, que expressam a força eleitoral dos partidos (número de parlamentares) obtida em 2018”, diz Rachel Meneguello, professora de ciência política da Unicamp, se referindo ao fato de os valores distribuidos aos partidos está relacionado ao tamanho das bancada na Câmara dos Deputados.  Segundo ela, o quadro traduz a tendência desses partidos a se associar e se adaptar às regras, mas o fundo eleitoral, diz, também possibilitou a siglas menores lançarem candidaturas puras.

Se em 2016 a principal fonte da maioria foram as doações, em 2020, para dez campanhas, foram os fundos públicos (eleitoral e partidário). Este ano, empresas não podem mais doar, só pessoas físicas. Segundo o site do TSE, 53,3% das receitas de Saadi até agora são de doações e eventos e 46,7% do fundo eleitoral. No caso de Zimbaldi, o fundo eleitoral corresponde a 81%, o partidário a 12,1% e doações, 6,79%. Além deles, a outra campanha milionária é do empresário Wilson Matos (Patriota), de R$ 1 milhão, vindo do fundo partidário.

Segundo Adilson Momente, presidente do Republicanos, a pandemia do coronavírus fez o partido destinar mais verba para divulgação em um período menor de campanha, atendendo ainda os candidatos a vereador. “Também há índice de destinação para mulheres e negros, que estamos cumprindo.” O PL informou que deu prioridade aos fundos públicos, com índice mínimo de doações de terceiros. Também diz que o valor está bem abaixo do limite autorizado de gastos para campanhas a prefeito, de R$ 5 milhões.  

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