Candidato petista tem teto alto no quintal tucano

Análise: José Roberto de Toledo

O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2012 | 03h09

O teto de voto de Fernando Haddad (PT) na área onde os petistas costumam ir mal está mais alto do que o teto de José Serra (PSDB) na periferia onde tucanos costumam naufragar. É o que fez o candidato do PT sair na frente no segundo turno em São Paulo, explica a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari.

Na extrema e pobre periferia paulistana, batizada de Sul 2 e Leste 2 pelo Ibope, Serra tem apenas 1 em cada 4 eleitores, enquanto Haddad varia de 58% a 61%. Já no centro rico expandido - o Ibope divide em Centro, Oeste e Sul 1 -, o candidato do PT tem no mínimo 1 em cada 3 eleitores, e Serra não passa de 52%.

Os números refletem duas coisas: a dificuldade do tucano de cativar o eleitor mais pobre e que não fez faculdade, e a maior facilidade de Haddad para ser aceito por uma parte significativa da classe média - a aposta que levou o ex-presidente Lula a bancar a candidatura de um jovem professor universitário, neófito em eleições, mas desvinculado do processo do mensalão.

Para ter chances de se eleger, Serra precisa rebaixar o teto de Haddad no centro expandido. "O tema moral tem mais apelo no eleitor escolarizado e de maior renda", diz a diretora do Ibope. Por isso, a crítica tucana ao PT por causa do mensalão pode diminuir a intenção de voto de Haddad nesse segmento.

A discussão de problemas da cidade, ao contrário, é a melhor aposta de Haddad para manter o teto de Serra baixo na periferia. O tucano terá problemas para convencer o eleitor de que a gestão de seu aliado Gilberto Kassab (PSD) é positiva. O prefeito bateu recorde de impopularidade: só 18% acham seu governo bom ou ótimo, enquanto 46% o classificam como ruim ou péssimo.

Márcia conta que o eleitor que votou em outros candidatos no primeiro turno não esperou suas recomendações de voto. Apesar de Celso Russomanno (PRB) ter sugerido voto nulo, 59% do seu eleitorado está optando por Haddad, e 26%, por Serra. Mais: 38% dos que votaram em Gabriel Chalita declaram voto no petista, e o mesmo tanto, no tucano.

Apesar de o PPS de Soninha e o PDT de Paulinho da Força terem declarado apoio a Serra, a maior parte de seus eleitores prefere o petista: 40% a 24%. A pesquisa Ibope reforça que, no Brasil, os líderes políticos estão quase sempre a reboque do seu eleitor. Os pastores seguem o rebanho.

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