André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Candidato do PT ao governo do Rio diz que PMDB 'traiu' Dilma

Lindbergh Farias ataca legenda no Estado por abrir palanque a Aécio Neves (PSDB)

WILSON TOSTA, Estadão Conteúdo

05 de agosto de 2014 | 13h42

RIO - O candidato do PT a governador do Rio, senador Lindbergh Farias, atacou duramente nesta terça-feira, 5, a gestão do ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que os petistas apoiaram e integraram por mais de sete anos. O senador também acusou o PMDB fluminense de "traição". No Rio, a legenda lançou o movimento"Aezão", de abertura do palanque do seu postulante ao Palácio Guanabara, Luiz Fernando Pezão, ao presidenciável tucano Aécio Neves.

Lindbergh lembrou ainda que o ex-secretário de Governo de Cabral, Wilson Carlos, tornou-se coordenador da campanha de Aécio no Estado. Pezão também apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

"O governo Cabral começou bem, as UPPs também, e foram se perdendo", disse o parlamentar, em sabatina promovida pelo SBT, Folha de S. Paulo e portal UOL. " Eles tiveram muitas oportunidades, (os presidentes Luiz Inácio) Lula (da Silva) e Dilma liberaram muitos recursos." Segundo Lindbergh, " o PMDB do Rio não tem postura correta com Lula e Dilma. É uma traição a quem sempre estendeu a mão. Vamos fazer uma campanha para Dilma ganhar a eleição."

Para Lindbergh, Aécio Neves "cometeu um erro grave no Rio de Janeiro: se aliou ao que tem de pior na política do Rio". "Esse pessoal não tem voto. Acham que eleições se ganham só com dinheiro, e não é assim. Quem vai decidir a eleição será o povo", afirmou.

Lindbergh acusou o grupo de Cabral, que renunciou ao governo em favor de Pezão em abril, de ter governado apenas "para o Rio do cartão postal", a zona sul da capital, e esquecido o "outro Rio", a zona norte, os subúrbios e a Baixada Fluminense. Segundo ele, na zona sul do Rio, o índice de mortalidade é de 5,8 por 100 mil habitantes, enquanto em Belford Roxo, município da Baixada, é de 53 por 100 mil. O senador afirmou que o custo da expansão do Metrô de Ipanema à Barra da Tijuca será de R$ 8,5 bilhões, enquanto levar a Linha 2 da Pavuna à Baixada, uma distância de 300 metros, custaria apenas R$ 150 milhões.

"O governo Cabral fez as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), agora asUPAs estão sem médicos", criticou.

Ex-integrante do movimento dos caras-pintadas que levou ao impeachment do presidente Fernando Collor em 1992, Lindbergh defendeu as manifestações iniciadas no Brasil a partir de junho de 2013, mas criticou a violência de manifestantes. "Derrubamos um presidente da República sem quebrar nada", declarou. "Sou favorável às manifestações. Trouxeram uma pauta importante. Quando quebram, esvaziam. O quebra-quebra acaba atrapalhando", disse.

O parlamentar confirmou ter usado drogas quando era jovem e passava por uma fase "difícil", depois de perder o pai. "Foi mais de 20 anos atrás. Tive um problema rapidamente superado. Um problema pontual", afirmou. Ele se declarou contra a legalização da maconha e afirmou que o problema do consumo de drogas precisa ser enfrentado com mais força pelo governo. Lindbergh afirmou que "o cara com 18 anos acha que vence tudo", inclusive a dependência química, e se incluiu nesse comportamento. Para superá-lo, defendeu o diálogo.

"É convencimento. Acho que falta papo direto com a juventude. Não é só polícia, é um trabalho de prevenção."

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