Candidato diz que prefeito de Fortaleza tem relação com construtora investigada pela Lava Jato

Em último debate, Capitão Wagner (PR) associou o concorrente, Roberto Cláudio (PDT) a construtora envolvida em investigação

Igor Gadelha, Enviado Especial / Fortaleza, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 07h47

FORTALEZA - A Operação Lava Jato foi tema do último debate entre os candidatos a prefeito de Fortaleza na noite dessa sexta-feira, 28. Em segundo lugar nas pesquisas, o deputado estadual Capitão Wagner (PR) levantou suspeitas sobre a relação do atual prefeito da cidade, Roberto Cláudio (PDT), que tenta reeleição, com a construtora Ferreira Guedes, uma das empresas investigadas pela operação. 

No último bloco do debate promovido pela TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo no Ceará, Wagner afirmou que a construtora fez doações para a primeira campanha de Roberto Cláudio a prefeito, em 2012. O candidato do PR disse ainda que o ex-diretor da construtora Erasto Messias Júnior assinou contratos com a Prefeitura de Fortaleza três meses antes de ser preso na 31ª fase da Lava Jato, em julho deste ano.

O atual prefeito reagiu à insinuação. Líder das pesquisas de intenção de voto, Roberto Cláudio prometeu acionar Wagner na Justiça por levantar a suspeição. “Estou há 10 anos na vida pública e não cabe sobre mim nenhuma denúncia”, disse. Após o debate, o pedetista afirmou também, por meio de sua assessoria, que a construtora citada por Wagner não fez doações para a campanha dele em 2012. A doação não consta na prestação de contas divulgada no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Visivelmente irritado, o prefeito também contra-atacou. Disse que o candidato do PR responde a dois processos criminais, sem especificar quais. Afirmou que Wagner recebeu, nesta campanha, doações do PSDB e PMDB, partidos investigados pela Lava Jato. Disse ainda disse que, se eleito, Wagner será obrigado a dar empregos a “apadrinhados” dos senadores cearenses Eunício Oliveira (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB), principais apoiadores de Wagner. 

De acordo com levantamento do Datafolha encomendado pelo jornal O Povo e divulgado no último sábado, 22 de outubro, Roberto Cláudio tem 56% dos votos válidos, 12 pontos porcentuais a frente de Capitão Wagner. Na última pesquisa do instituto, o candidato do PDT tinha 59% das intenções de voto, enquanto seu adversário tinha 41%.

Situação. Em meio à grave crise fiscal enfrentada por Estados e municípios, Capitão Wagner explorou o governismo no plano federal como vantagem sobre seu adversário: o atual prefeito, Roberto Cláudio (PDT), que tenta reeleição como oposição ao governo Michel Temer. Wagner usa a imagem de caciques políticos cearenses com influência na administração federal para tentar mostrar que terá como cumprir as promessas de campanha.

Candidato de uma aliança entre PMDB, PSDB, PR e Solidariedade, principais partidos de sustentação do governo Temer, Wagner intensificou a participação dos senadores cearenses Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado, e Tasso Jereissati (PSDB) em sua campanha na reta final do segundo turno. “Tanto na rua quanto na TV a gente usou a imagem dos dois para mostrar que tem força em Brasília para buscar os recursos para que possa cumprir as promessas”, afirmou Wagner.

Candidato à reeleição por uma coligação de 18 partidos, o atual prefeito minimiza o fato de ser oposição ao governo federal. “Bons projetos sempre vão ter espaço.” Assim como Wagner, Roberto Cláudio intensificou a participação na campanha de seus padrinhos políticos: os ex-ministros Cid e Ciro Gomes, ambos do PDT.

 

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