Reprodução|Facebook
Reprodução|Facebook

Candidato defende que PF investigue morte de coordenador de campanha

Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirma ter encontrado indícios de que Plínio Zalewski, que trabalhava para a candidatura do peemedebista Sebastião Melo à prefeitura de Porto Alegre, tenha se suicidado

Lucas Azevedo, ESPECIAL PARA O ESTADO , O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2016 | 06h00

PORTO ALEGRE - O candidato à prefeitura de Porto Alegre pelo PMDB, Sebastião Melo, defendeu nesta terça-feira, 18, que a Polícia Federal investigue a morte do coordenador de sua campanha, Plínio Zalewski, de 53 anos, que foi encontrado sem vida na manhã desta segunda-feira, 17, na sede do partido, na região central da capital gaúcha. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul afirmou ter encontrado indícios de que Zalewski tenha se suicidado.

“O crime aconteceu dentro de um comitê eleitoral e, da mesma forma que a Polícia Federal está investigando os tiros em outro comitê na capital, ela também terá que investigar este caso. Na minha opinião, a resposta tem que ser dada o mais rápido possível. Perdemos uma vida, estamos todos machucados e abatidos”, disse Melo na manhã desta terça-feira, durante o velório do correligionário, referindo-se ao incidente ocorrido no comitê de campanha de seu concorrente Nelson Marchezan (PSDB). O local foi alvo de disparos de arma de fogo na madrugada de segunda-feira. 

O candidato do PMDB disse ainda que se sente ameaçado, mas não deu detalhes. “Tem havido campana na minha casa, na casa do partido e por onde eu ando. Isso é uma coisa fascista. Campanha política não é para isso.”

O corpo de Zalewski foi enterrado na tarde desta terça-feira no Cemitério Ecumênico João XXIII, em Porto Alegre. A cerimônia foi restrita a familiares, amigos e correligionários. Sebastião Melo esteve no local. 

Bilhete. Segundo o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Paulo Grillo, o bilhete encontrado ao lado do corpo de Zalewski tem tom de despedida e não cita ninguém nominalmente. Conforme a análise feita por peritos, o conteúdo demonstra o sentimento de pressão que ele estaria sentindo no trabalho.

Fontes policiais também disseram que os ferimentos encontrados no corpo dele levam a crer que foram praticados pela própria vítima. As análises, entretanto, ainda não terminaram nem são conclusivas e há alguns pontos anteriores ao dia da morte que precisam ser elucidados.

Zalewski estava desaparecido desde a tarde de domingo, quando sua família registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento. Ele havia falado com a mulher e prometido almoçar em casa, mas não apareceu. Dias antes, teria registrado uma ocorrência policial por suspeitar que seu computador e os telefones dele e de sua filha haviam sido hackeados.

Segundo o relato de pessoas próximas a ele, Zalewski queixava-se e apresentava sinais de esgotamento. Para amigos, um vídeo divulgado nas redes sociais por um youtuber ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), em que Melo era questionado sobre a dupla jornada de Zalewski como coordenador de campanha e detentor de cargo comissionado no governo estadual, o teria incomodado.

Campanha. A Justiça Eleitoral decidiu suspender a campanha em Porto Alegre até as 18 horas desta terça-feira, a pedido das equipes dos dois concorrentes à prefeitura de Porto Alegre. Com a pausa em razão do luto, não foram veiculados nas cadeias de rádio e TV os programas políticos dos candidatos nem feitas inserções ao longo da programação.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.