Candidato de Aécio disputa 2º turno em BH com peemedebista

Márcio Lacerda, do PSB, consegue 43% dos votos; Leonardo Quintão, do PMDB, fica em segundo lugar com 41%

Eduardo Kattah e Raquel Massote, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2008 | 20h11

A disputa pela prefeitura de Belo Horizonte será decidida em segundo turno entre os candidatos Márcio Lacerda (PSB) e Leonardo Quintão (PMDB). Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)com 100% das urnas apuradas, Lacerda alcançou 43,59% dos votos válidos, seguido de perto pelo candidato do PMDB, que contabilizava 41,26%. A ocorrência de segundo turno representou um revés no cenário de vitória consagradora da aliança costurada pelo governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e pelo prefeito da capital, Fernando Pimentel (PT), em torno do candidato socialista.   Veja também: PSDB conquista maioria das Prefeituras de MG Confira as imagens da votação pelo Brasil Cobertura completa das eleições 2008 Perfil dos candidatos de Belo Horizonte Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos    Após uma ascensão meteórica nas pesquisas, fundamentada no ostensivo apoio de Aécio e Pimentel e em cerca de 40% do tempo total na propaganda eleitoral no rádio e na TV, a candidatura de Lacerda foi surpreendida na reta final pelo crescimento significativo das intenções de voto em Quintão. Antes mesmo do início da contagem dos votos, as candidaturas de Lacerda e Quintão deflagraram estratégias para a conquista de apoios na nova etapa eleitoral, principalmente da candidata do PC do B, Jô Moraes - coligada com o PRB do vice-presidente José Alencar -, que liderou a disputa no início da campanha e ficou em terceiro lugar, chegando a 8,82% dos votos válidos.   Ao chegar para votar em um colégio estadual na região sul da capital, Aécio procurou demonstrar tranqüilidade com a possibilidade de ocorrência de segundo turno. Mas deixou claro que a idéia agora é "politizar" mais a campanha. Embora o mote adotado tenha sido o da continuidade da "parceria administrativa" entre a prefeitura e o governo estadual em prol da cidade, a aliança foi interpretada como um acordo visando interesses pessoais do governador e Pimentel em 2010.   O próprio Aécio faz questão de difundir a idéia de que a experiência de "convergência" entre petistas e tucanos deve servir de exemplo para o País. "Vamos trabalhar para politizar um pouco mais a campanha. Mostrar de forma clara que existem propostas distintas em discussão. A nossa é uma proposta do campo popular, do campo democrático, e uma proposta política de uma aliança que o Brasil observa com muita atenção". Para Aécio, o candidato do PMDB cresceu "num espaço vazio", onde Jô Moraes não cresceu.   Assédio   O peemedebista - cuja candidatura tem como principal patrocinador o ministro das Comunicações, Hélio Costa - acabou por arregimentar um sentimento contrário à articulação política do prefeito e do governador. Quintão e Costa se apressaram no assédio a Jô Moraes e ao vice-presidente. Eles fizeram questão de acompanhar a votação de Alencar, que tinha a companhia da candidata. Jô Moraes, no entanto, não confirmou o apoio ao peemedebista, afirmando que acatará a "posição coletiva" da direção nacional do partido, que se reúne na próxima quinta-feira. Ela adiantou que "dificilmente" a legenda decidirá pelo apoio a Lacerda, sugerindo as opções, "por eliminação", de neutralidade no segundo turno ou de ingresso na campanha de Quintão.   Disse também que a decisão será tomada diante da perspectiva da campanha de 2010. "Sabemos que toda essa disputa municipal, ela impacta a disputa de 2010. Teremos que saber quem sairá vencedor", observou.   Alencar, por sua vez, desconversou ao ser questionado sobre eventual segundo turno. O ministro e Quintão garantiram que acompanharam a votação do vice-presidente a convite do próprio. Porém, interlocutores de Alencar e Jô Moraes asseguraram que o vice não tomou a iniciativa de convidá-los. Costa aproveitou para cobrar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantenha a "imparcialidade" e a "neutralidade" na disputa em Belo Horizonte. Lula abençoou o acordo de Aécio e Pimentel, mas não entrou na campanha.   Agressividade   Na medida em que foi-se consolidando o cenário de segundo turno na campanha para a prefeitura de Belo Horizonte, o clima de cordialidade e sem ataques pessoais foi deixado de lado pelos principais candidatos. Nos últimos dias, na expectativa de atrair os velhos aliados, Lacerda passou a disparar contra Quintão, alertando para o risco da volta do "populismo", da "demagogia" e da "velha política" à prefeitura da capital mineira. "Nosso trabalho é unificar o campo democrático e popular em torno de Lacerda, porque do lado de lá há uma proposta populista, retrógrada", reforçou ontem (05) Pimentel, garantindo que o processo não criou "fissura" com o PC do B da candidata Jô Moraes.   Combatida pela direção nacional do PT - que impôs um veto à coligação formal com o PSDB -, a aliança do governador tucano Aécio Neves com Pimentel rachou o partido no Estado, que na prática domina o Executivo municipal há 16 anos. A chamada esquerda do PT mineiro e militantes ligados aos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) fizeram campanha para Jô Moraes.   Por trás da divergência está a disputa pelo Palácio da Liberdade em 2010, pretensão alimentada por Pimentel, Patrus e Costa. A ala petista não engole também a perspectiva de que o PSDB volte a participar a administração municipal. Foi o argumento utilizado por Jô Moraes. "Por que nesse momento a ameaça de uma candidatura do PMDB é maior do que uma candidatura que é integrada pelo PSDB, que é parte da base de oposição ao governo do presidente Lula?", questionou a comunista. Embora tenha dito que o segundo turno gerava "um dado novo" na campanha e que manterá uma linha de "fidelidade ao partido", o ministro do Desenvolvimento Social não indicou ontem (05) qual posição irá adotar.   "Baixo nível"   As declarações de Lacerda e Pimentel serviram para acirrar os ânimos da campanha. Quintão foi duro na resposta e afirmou que o socialista não tem legitimidade para falar pela "voz do povo". "Ele nunca foi nada, o Márcio Lacerda. Ele está confundindo populista com popular. Eu sou uma pessoa que gosta de contato com o eleitor, com as pessoas", afirmou Quintão, acusando o candidato do PSB de fazer uma campanha baseada em reuniões internas e gravações de programas eleitorais. "O eleitor já decidiu que a nossa candidatura é popular. Mas eu respeito ele. Ele tem pouca experiência política".   Já Lacerda atribuiu o crescimento do adversário e a perda de muitas intenções de voto de eleitores de nível superior a uma "campanha difamatória" promovida nos últimos 15 dias contra ele na internet - com "calúnias e difamações" -, e também por meio de panfletos anônimos que teriam sido distribuídos em pontos de ônibus e vários outros locais da cidade. "A gente atribuiu essa mudança, aqui no final, exatamente a essa política de baixo nível dos nossos adversários".   Costa aproveitou para disparar contra a aliança informal entre petistas e tucanos. "O grande erro político, estratégico foi achar que o eleitor de Belo Horizonte era cego", disse. "O eleitor está dizendo o seguinte: não aceita o caciquismo em Belo Horizonte". O ministro também rebateu as declarações de Lacerda e direcionou seus ataques para Pimentel, acusado de impedir que o PMDB fizesse parte de qualquer conversação em torno da escolha de um candidato de consenso. "O PMDB é um partido de centro-esquerda, sempre foi de centro-esquerda. Eu acho que nesse momento o centro ou até o centro-direita é representado por eles", afirmou. "Eu me sinto muito feliz. Na verdade, eu dormi uma noite muito tranqüila, eu nunca dormi tão bem. Talvez embalado pela falta de sono dos meus adversários".   Vereadores   O professor Eliad Murad (PSDB) foi o vereador mais votado em Belo Horizonte, com 15.473 votos (1,23%). Em segundo lugar aparece Wellington Magalhães (PMN), com 14.321 votos (1,14%), seguido por Paulo Lamac (PT), com 13.279 votos (1,05%)   Uma gari, por pouco, não ocupa uma das 10 vagas da Câmara Municipal de Manhuaçu a partir do próximo ano. A cidade, que fica no leste de MG, tem pouco mais de 50 mil eleitores. A campanha de Nicolina Aparecida de Oliveira (DEM), 54 anos, teve como marca a simplicidade e a simpatia da gari. O resultado foram 1.173 votos. Ela ficou entre os nove candidatos mais votados do município e só não foi eleita porque outros três concorrentes da mesma coligação tiveram maior votação. A gari, que não tem nem o Ensino Fundamental completo, se tornou celebridade em Manhuaçu. Ela e centenas de moradores acompanharam a apuração por um telão instalado em frente ao Fórum da cidade.     Ao ser divulgado o resultado final, mesmo não sendo eleita, Nicolina foi aclamada pela população na praça central. E como se tornou primeira suplente, muitos eleitores que confiaram na gari apostam que ela ainda vai se tornar vereadora.   (Com Lauro Moraes)

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