Candidato busca desfazer mal-estar com arcebispo

Em encontro com d. Odilo Scherer, Russomanno se distanciou do ataque a católicos feito por coordenador de campanha

O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h04

O candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, se reuniu ontem com o arcebispo d. Odilo Scherer para se distanciar do artigo escrito pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira - bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus -, que provocou protestos da Igreja Católica na última semana.

"Essa é uma questão que não tem nada a ver com a nossa campanha", disse Russomanno, sobre o artigo de Pereira, que atacava a Igreja Católica. "Acho que isso é letra morta, já está resolvido e ponto final", acrescentou o candidato, após reunião que durou cerca de uma hora e meia na Cúria de São Paulo. Participaram do encontro, realizado a portas fechadas, o candidato, o coordenador de campanha, deputado Campos Machado (PTB), e o candidato a vice na chapa, Luiz Flávio D'Urso.

Na semana passada, a Arquidiocese disparou uma nota, a pedido de d. Odilo Scherer, em repúdio ao artigo de Marcos Pereira. O texto do coordenador da campanha de Russomanno afirmava que a Igreja Católica tem "o controle das ações do governo, seja federal, estadual ou municipal" e a responsabilizava indiretamente pelo chamado "kit gay" - material didático de combate à homofobia, que nem sequer chegou a ser distribuído em escolas. "Estamos vivendo a política da catequização da Igreja de Roma e, por isso, certamente, estamos vivendo os últimos dias", dizia o artigo de Pereira.

Expectativa. O cardeal confirmou que, na reunião, Russomanno procurou se desvincular do episódio que gerou o desconforto com a Igreja. "Quanto ao artigo, eles tomaram distância. E espero que daqui por diante isso seja considerado letra morta. Agora a gente precisa ver os passos seguintes", afirmou.

A campanha de Russomanno queria a reunião com d. Odilo antes do debate promovido pela Arquidiocese na semana passada. O candidato condicionou sua ida ao debate ao encontro com o cardeal, para esclarecer a polêmica com a nota divulgada pela Igreja, na qual o PRB era acusado de "fomentar a discórdia" entre as religiões.

Russomanno negou ter sido criticado pela cúpula católica. Atribuiu essa interpretação aos jornalistas. "Nós jornalistas temos o hábito de fomentar as coisas. Infelizmente nossa profissão é assim."

A agenda de campanha do candidato do PRB quase foi responsável por uma enorme gafe ontem, ao convocar uma carreata em pleno Dia Mundial Sem Carro, na zona sul da cidade. No final da manhã, a assessoria desmarcou o compromisso. / RICARDO CHAPOLA

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