Prefeitura de Cajamar/Divulgação
Prefeitura de Cajamar/Divulgação

Candidato à reeleição, prefeito é alvo de buscas por supostos desvios em Cajamar

Danilo Joan é investigado por atos de corrupção na compra de equipamentos para o enfrentamento da pandemia de covid-19

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 16h03

SOROCABA – A dez dias das eleições municipais, o gabinete e a casa do prefeito de Cajamar, Danilo Joan (PSD), candidato à reeleição, foram alvos de buscas, nesta quinta-feira, 5, em ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) que investiga supostos desvios de recursos públicos e atos de corrupção na compra de produtos e equipamentos hospitalares para o enfrentamento da pandemia de covid-19.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos gabinetes da secretária de saúde e do diretor de compras e licitações da prefeitura, além das sedes das empresas fornecedoras e residências dos sócios. Os suspeitos negaram irregularidades e disseram que estão à disposição da Justiça.

Os nove mandados, expedidos pela 3.a Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e relacionados à Operação Cama de Gato, foram cumpridos com apoio da Polícia Militar. As investigações coordenadas pela Procuradoria-Geral de Justiça apuraram que o município de Cajamar gastou mais de R$ 1 milhão em produtos e equipamentos hospitalares contratando, mediante dispensa de licitação, uma empresa não autorizada para o fornecimento. Na época das compras, a empresa possuía sede em imóvel residencial, sem indício de que nele houvesse atividade comercial.

O MP-SP também apurou que parte dos ventiladores pulmonares adquiridos como novos eram usados e imprestáveis. Já algumas camas hospitalares foram faturadas com valores de mais de 200% acima do preço. De acordo com Ministério Público, as investigações vão prosseguir com a análise do material apreendido, bem como outras medidas voltadas à apuração dos crimes de desvio de recursos públicos, corrupção e de lavagem de dinheiro.

Em nota, a prefeitura informou que, desde o início das investigações, prestou todas as informações solicitadas pelo Ministério Público. Já o prefeito disse que foi surpreendido pela operação e está à disposição da Justiça. Segundo ele, os documentos referentes às compras das camas já estavam em poder do Ministério Público em Cajamar e não seria necessária a realização da operação. “Eu também fui surpreendido com a notícia de que a polícia estava na minha casa, que foi toda revirada. Levaram uma pasta preta que tinha documentos pessoais e um contrato de locação da minha sogra, mais nada.”

Segundo ele, foram levados da Secretaria de Saúde dois computadores e, do gabinete, alguns objetos pessoais. “Sempre segui as determinações do Ministério Público e nunca vou correr das minhas responsabilidades estando à frente do Executivo. Estranhamente, faltando dez dias para as eleições, acontece uma situação dessas. Temo pela minha vida e pela vida da minha família, mas não vou desistir. Isso é desespero da oposição. As camas foram compradas no auge da pandemia para equipar o hospital de campanha e foram responsáveis por salvar vidas”, afirmou.

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