Candidato à chefia do Ministério Público ataca o titular

Pelo poder no Ministério Público de São Paulo, o procurador Luiz Marrey, ex-secretário de Justiça do governo José Serra (PSDB), partiu para o ataque do procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa. Em carta aos promotores, no dia 30, Marrey atribui a seu oponente "falta de iniciativas eficazes na defesa da instituição".

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2014 | 02h03

Foi o primeiro movimento no tenso xadrez eleitoral que marca a disputa pelo topo do Ministério Público, ora ocupado por Elias Rosa, que almeja a recondução. O pleito está marcado para 5 de abril, mas o gesto do aliado de Serra precipitou a campanha pela cadeira número 1 da procuradoria.

Elias Rosa reagiu, com uma correspondência a todos os seus pares. "Liderança e autoridade não se confundem com agressividade, autoritarismo e sujeições a ambições exclusivamente pessoais ou a projetos próprios de poder." Ele avalia que Marrey é movido por uma "incontida ambição política e que, distante da realidade, descreve um imaginário e amesquinhado Ministério Público".

Nomeado em 2012 pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), Elias Rosa propõe que o debate fique restrito a ideias e programas para valorizar o Ministério Público. Destaca que respeita "opiniões críticas", mas repudia "prática política ultrapassada e incapaz de representar o fortalecimento da instituição e de seus membros".

Marrey também ocupou o posto de secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura no governo Serra, cujo vice era Gilberto Kassab (PSD). Antes de integrar o núcleo de confiança de Serra e Kassab, ele exerceu em três oportunidades o cargo que agora pretende retomar.

Marrey sustenta que a administração de seu rival "padece por excesso de burocracia" e "por falta de liderança real e ativa, apesar do trabalho dedicado de seus integrantes, a instituição vem perdendo espaço e reconhecimento". Cobra "agenda institucional clara para a sociedade, baseada no combate à violência e à corrupção".

Elias Rosa tem recebido manifestações de apoio que lhe conferem méritos pela consolidação de um Ministério Público fortalecido a partir da reação contra a PEC 37, que excluía da instituição o poder de investigação no âmbito criminal.

O procurador-geral crava que a era Marrey levou ao "imobilismo na carreira, à geração de passivos, à quebra da paridade remuneratória entre ativos, aposentados e pensionistas". Elias Rosa alerta que o Ministério Público "já vivenciou graves confrontações internas, de divisão, de cizânia e de prática rotineira do sectarismo".

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