Candidatas Dilma Rousseff e Marina Silva tentam cativar setor artístico

Presidenciáveis fazem atos com representantes da cultura; petista divulga manifesto com apoiadores, mas ator diz que não assinou documento

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2014 | 23h12

Subir no palanque para cantar em showmícios não é mais permitido pela legislação eleitoral, mas os candidatos à Presidência não abrem mão de receber o apoio público de artistas e intelectuais às suas campanhas. Nesta segunda-feira, as duas principais concorrentes ao cargo, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), participaram de eventos para exibir os seus cabos eleitorais mais populares.

Ao lado ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma reuniu artistas em um teatro no Rio. À tarde, a campanha da petista já havia divulgado um manifesto com 69 nomes de destaque da cultura brasileira, como os cantores Chico Buarque e Alcione, os atores Paulo Betti e Angela Vieira e os escritores Fernando Morais e Luis Fernando Verissimo. Também havia na lista nomes de blogueiros.

Incluído no manifesto, o ator Matheus Nachtergaele disse na segunda-feira pelo Facebook que não assinou o documento e que, por ora, não pretende revelar o seu posicionamento político.

“Nunca o Brasil havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e de justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados”, diz o texto.

Apesar de registrar que o País precisa de mudanças, especialmente em segurança pública e mobilidade urbana, o manifesto diz que abandonar o caminho que vem sendo trilhado “para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre seria um enorme retrocesso”.

A candidata do PSB, por sua vez, reuniu-se segunda com representantes de entidades e profissionais da área cultural na zona oeste de São Paulo. Entre os presentes, o cineasta Fernando Meirelles, o cantor Dinho Ouro Preto e o rapper Xis.

A campanha de Marina marcou um outro ato para amanhã, no Rio, onde espera uma presença mais expressiva de artistas. O encontro está sendo organizado pelo ator Marcos Palmeira e teve de ser adiado para não coincidir com o evento promovido pela equipe de Dilma.

No encontro de segunda-feira, Marina prometeu ampliar o investimento em cultura, mas evitou definir um porcentual do Orçamento, como fez com outras áreas, como a saúde.

Ao receber o apoio público de Meirelles, ouviu dele que o País não precisa mexer na política para o desenvolvimento da indústria audiovisual implementada pelo atual governo, apenas fazer “alguns ajustes”. Dinho Ouro Preto - que apoiava Eduardo Campos e disse ao Estado estar em dúvida após a morte do candidato - disse ter decidido votar em Marina por acreditar que ela possa mudar o sentimento de “descrença generalizada” em relação aos políticos.

Internet. As campanhas presidenciais também têm explorado o apoio da classe artística na TV e nas redes sociais. Marina já gravou depoimentos dos cantores Caetano Veloso e Gilberto Gil e tem exibido as peças tanto na internet como no horário eleitoral.

O candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Aécio Neves, adota a mesma estratégia. No início do mês, exibiu na TV um vídeo com cantores entoando o jingle da campanha. Estavam Zezé Di Camargo, Chitãozinho e Xororó e Renato Teixeira.

Segundo o cientista político Carlos Melo, exibir o apoio de artistas e intelectuais é um recurso antigo usado pelos políticos no País. Serve não apenas para dar credibilidade ao candidato, mas para influenciar no voto do eleitor. “Os artistas são formadores de opinião. É importante que eles entrem para o debate e se posicionem”, afirmou. / COLABORARAM ANA FERNANDES e FLAVIA GUERRA

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