Candidata do PSB diz não se sentir pressionada

Marina nega que Malafaia tenha influenciado alteração em plano de governo, volta a criticar campanha do PT e lembra que Lula foi vítima do medo

Gabriela Lara e Stefânia Akel, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2014 | 22h54

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, afirmou nesta quinta-feira, 4, em entrevista à Rádio Gaúcha, que não se sente pressionada pelo pastor Silas Malafaia “nem por ninguém”. A declaração de Marina foi dada em resposta a uma pergunta sobre o fato de, menos de 24 horas depois de apresentar o programa de governo com propostas que atendiam reivindicações do movimento gay, sua campanha ter divulgado uma errata na qual recuava nas questões principais do capítulo. 

A decisão foi tomada após pressão de pastores e políticos da bancada evangélica, em especial de Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Por meio de sua conta no Twitter, Malafaia disse que Marina, “a candidata membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus”, estava fazendo “uma defesa vergonhosa da agenda gay”. Em seguida, ameaçou fazer uma “dura e contundente fala” contra a candidata a presidente se o programa não fosse revisto. 

“O que aconteceu foi uma mudança porque não era o que havia sido acordado. Para ser sincera, eu nem li os tweets do Silas Malafaia”, afirmou nesta quinta Marina. Segundo ela, as pessoas acreditam que foi ela quem fez a mudança no texto, por ser evangélica. “Eu não me sinto pressionada por ele (Malafaia) e nem por ninguém. Vou agir de acordo com a Constituição e com o princípio do Estado laico.”

Em visita à feira de agronegócio Expointer, na cidade gaúcha de Esteio, Marina voltou a dizer que acredita na “vitória da esperança sobre o medo” ao comentar as críticas a ela dirigidas pela campanha da presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff. Marina se comparou ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Essa história de medo eu durante 30 anos vi as pessoas fazerem contra o Lula, e eu dizia e acreditava e continuo acreditando que a esperança já venceu o medo, e não adianta querer ressuscitá-lo”, disse a candidata, ex-ministra do petista.

No começo da semana, Marina foi alvo da campanha de Dilma, que na propaganda eleitoral comparou a candidata do PSB aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, que não concluíram seus mandatos. 

Nesta quinta, Marina se queixou de ser criticada por dizer que pretende governar com os “melhores de todos os partidos”. “Eu não vejo que erro possa haver em um governante dizer para a sociedade brasileira que quer os melhores quadros do ponto de vista técnico, político e ético”, afirmou. “Nunca vi ninguém querendo se eleger dizendo que vai governar com os piores.”

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