Candidata critica 'vale tudo eleitoral' das campanhas

Contrária ao que chamou de "vale tudo eleitoral", a candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, afirmou que o nível das campanhas é baixo mesmo antes de as ofensas pessoais começarem.

O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h05

"O vale tudo é mais sutil, é o dado manipulado o tempo todo, palavras que caem bem aos ouvidos da população. Dizer que (a situação) nunca esteve tão ruim.Cai bem nos ouvidos, mas é desonesto, assim como dizer 'no nosso governo a gente fez tudo'. Falam qualquer coisa para agradar o eleitorado, para conquistá-lo."

Na opinião da candidata, essa é uma das razões que levam a população a estar descrente com relação a política, reduzindo a participação. "E os jovens levam a fama. Alguns dizem: 'os jovens de hoje não querem saber de política'. Mas os mais velhos, os que já foram engajados, também não", analisou.

De acordo com Soninha, fazer as pessoas acreditarem na política é uma das suas motivações. "Fui vereadora, escolhi o caminho mais pedregoso, sobrevivi, aprovei projetos, coisas das quais me orgulho e aprendi a ter uma relação quase de respeito com meus inimigos."

A essa imagem na qual a política está envolta Soninha atribui também a dificuldade que ela está enfrentando em conseguir financiamento para sua campanha. Essa crítica vem sendo endossada por boa parte dos candidatos neste pleito.

"É muito difícil você ver a quantidade de pessoas que não querem aparecer na campanha. O fato de aparecerem como doador de um candidato pode criar embaraços", comentou.

Na opinião de Soninha, o julgamento do escândalo conhecido como mensalão, em curso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), também influencia. "No primeiro balanço da campanha, tínhamos apenas R$ 23 mil. Um número sugestivo", brincou a candidata, referindo-se ao mesmo número de seu partido.

Soninha contou já ter recusado doações porque existe uma "caça às bruxas" com relação ao tipo de empresas que realizam o financiamento.

"Eu defendo o transporte sustentável e recebo doação de uma empresa de combustível, por exemplo. Vou ser cobrada (pelos eleitores)", explicou a candidata.

Soninha afirmou que, mesmo com as dificuldades, "está exercendo seu ideal de política".

"É falar o que você pensa", descreveu a candidata. Segundo ela, esse idealismo explica a falta de associação com outros candidatos. "Uma campanha como a do Serra (José Serra, candidato do PSDB) ou do Haddad (Fernando Haddad, candidato do PT) é cheia de 'não pode isso e tem que fazer aquilo'. Cada movimento é baseado em uma pesquisa qualitativa, no tracking (pesquisa por telefone)." /G.W.

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