Chico Siqueira/Estadão
Chico Siqueira/Estadão

Campos veta foto de Marina com Alckmin

Candidato do PSB age para material não ser distribuído; ao inaugurar comitê conjunto, ele não cita nome de governador

O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2014 | 02h03

O candidato do PSB ao Palácio do Planalto, Eduardo Campos, vetou a inclusão de fotos de sua vice na chapa, Marina Silva, no material de campanha dos comitês "Edualdos", que pregam voto nele para a Presidência e no governador Geraldo Alckmin (PSDB) para mais um mandato em São Paulo. Alguns santinhos chegaram a ser produzidos com imagens de Campos, Marina e Alckmin, numa montagem com os três lado a lado, mas o ex-governador de Pernambuco trabalhou para evitar sua distribuição - a companheira de chapa não quer ter o nome associado ao do tucano.

Marina sempre se posicionou contra a aliança do PSB de Campos, partido ao qual se filiou em outubro após não obter na Justiça Eleitoral o registro de sua Rede Sustentabilidade, ao PSDB de Alckmin na eleição paulista. Mas a ex-ministra do Meio Ambiente perdeu a disputa interna e o deputado Márcio França (PSB) foi indicado como candidato a vice na chapa reeleitoral do tucano no Estado.

Formalizada a aliança local, os integrantes do PSB - partido que historicamente é um apoiador dos governos tucanos em São Paulo - trataram de buscar uma maneira de associar o nome de Alckmin ao de Campos, para que o candidato à Presidência tivesse algum palanque no maior colégio eleitoral do País. Daí surgiu a ideia dos comitês "Edualdo", união dos nomes Eduardo e Geraldo.

Primeiros. Ontem foram inaugurados os primeiros comitês da parceria informal - oficialmente, Alckmin apoia o candidato de seu partido ao Planalto, Aécio Neves. A ideia de Márcio França, idealizador dos comitês, é inaugurar pelo menos 40 deles durante a campanha eleitoral.

Os materiais produzidos para distribuição ontem nas inaugurações desses comitês do interior de São Paulo já não traziam a foto de Marina ao lado de Alckmin, após o veto de Campos. Os cartazes pendurados nos comitês de Marília, Araçatuba e Limeira traziam apenas a imagem de Campos ao lado do governador e de França, sob o slogan "Coragem para Mudar".

Em Marília, onde o PSB local chegou a produzir material com a foto de Marina, foram distribuídos a eleitores panfletos e informativos sem a imagem da ex-ministra. Em Limeira, havia uma foto de Marina ao lado de Campos no material de campanha de um candidato a deputado, mas não a de Alckmin - e, por isso, teve aval da ex-ministra.

Sem citação. Ao inaugurar os comitês, Campos evitou citar o nome de Alckmin, disse que a aliança com o PSDB havia sido uma decisão estadual e que agora era o momento de unir forças para a campanha. "A hora agora é de multiplicar os esforços, cada um fazendo exatamente o que pode, na dimensão do que pode, para que a gente possa colocar a campanha na rua e, sobretudo, chamar a atenção da população para uma opção nova, uma opção de mudança de verdade", afirmou.

Campos disse ainda que a campanha terá outros locais para explorar a aliança com a vice, como as casas de Eduardo e Marina - comitês criados por voluntários, em modelo já utilizado pela ex-ministra em sua disputa pela Presidência em 2010, como candidata do PV.

Ontem, em Belo Horizonte, Marina inaugurou a primeira dessas casas. Ao ser questionada sobre o uso da sua imagem no comitês "Edualdos" em São Paulo, Marina voltou a repetir que trabalhou para que o PSB tivesse candidato próprio na disputa paulista e que sempre deixou claro que não faria campanha ao lado de Alckmin.

"O PSB tem o direito de fazer alianças nos Estados, mas eu não subo em palanque do PSDB", disse a ex-ministra. Em Minas, o PSB também é aliado do PSDB, mas por pressão da chapa presidencial lançou o ex-prefeito de Juiz de Fora Tarcísio Delgado ao governo. / CHICO SIQUEIRA, ANTÔNIO TEIXEIRA e ALEX CAPELLA, ESPECIAIS PARA O ESTADO, e ISADORA PERON

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