Campos tenta se equilibrar na briga da Câmara

Governador e presidente do PSB almoça hoje com candidato do seu partido; na próxima semana, se reúne com peemedebista

LEONENCIO NOSSA, ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2013 | 02h08

O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, procura se equilibrar na disputa pela presidência da Câmara e manter uma posição de neutralidade mesmo com a candidatura do correligionário Júlio Delgado (PSB-MG). Hoje, Campos recebe o deputado mineiro para um almoço no Recife. Mas já marcou para a próxima terça-feira um encontro com o candidato do PMDB, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), favorito para suceder o petista Marco Maia (RS) no comando da Casa.

A entrada de Delgado na eleição da Câmara foi patrocinada pela bancada do partido. Até agora, o governador manteve-se distante da campanha do mineiro, que tentará hoje emplacar a versão de que o almoço no Palácio do Campo das Princesas representa o apoio explícito à sua candidatura. Nas últimas semanas, Campos afirmou a colegas de legenda que defende Delgado, mas o apoio até agora se restringe aos bastidores. Embora tenha interesse no desgaste do PMDB, o governador - nome cotado para a sucessão presidencial em 2014 - não está disposto a medir forças com o partido no momento. Qualquer apoio público de Campos a Delgado será feito com cuidado, dizem aliados.

Ao mesmo tempo que não quer um enfrentamento com o PMDB, Campos teme associar sua imagem à de Henrique Eduardo Alves - deputado há 42 anos -, citado em recentes denúncias e acusado de enriquecimento ilícito em ação de improbidade administrativa.

Renovação. Em sua campanha, Delgado insistirá no discurso da "renovação". "A imagem atual do Legislativo está muito desgastada", afirma o deputado do PSB. "Eu confio no apoio do governador Eduardo Campos."

O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, afirmou que a candidatura de Delgado não é "pessoal" e conta com o apoio unânime da bancada na Câmara e da direção nacional do partido. Amaral assegura que Campos "está fazendo o que pode" para ajudar o companheiro de legenda. "Ele não é deputado, é governador e sua prioridade agora é o governo do Estado", afirma, garantido que em fevereiro ele estará em Brasília para contatos. "Por enquanto, o trabalho dele é conversar com deputados em Pernambuco."

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