Campos tem aval de governadores do PSB

Dos 5 governadores da sigla - além dele próprio -, 4 apoiam movimentos políticos do presidente do partido visando candidatura em 2014

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2013 | 02h08

O governador do Ceará, Cid Gomes, é voz isolada entre os governadores do PSB na defesa da tese de que o partido deveria apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 em vez de lançar candidato próprio. Os demais governadores da sigla apoiam a movimentação feita pelo presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Assim como o governador de Pernambuco, todos entoam o mantra de que a decisão deve ser tomada no ano que vem, mas veem a oportunidade de usar 2013 como um ano para fazer articulações e cacifar o PSB, robustecendo uma eventual candidatura de Campos.

O Estado ouviu os governadores Wilson Martins (Piauí), Renato Casagrande (Espírito Santo), Ricardo Coutinho (Paraíba) e Camilo Capiberibe (Amapá). Eles defendem apoio irrestrito ao governo Dilma em 2013, lembram a boa e histórica relação que o PSB mantém com a presidente e o PT, mas nenhum defende a tese de Cid Gomes. Todos foram procurados recentemente por Campos para conversar.

Alguns, como Martins e Coutinho, também têm sido assediados pela presidente, que visitou o Piauí em janeiro e a Paraíba na semana passada na companhia deles, respectivamente. Dilma também visitará Cid Gomes ainda este mês. O governador cearense já foi cortejado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi a Fortaleza dez dias atrás em uma agenda conjunta com Cid. O assédio é uma forma de tentar minar uma eventual postulação de Campos.

O discurso dos governadores do PSB, via de regra, é de conciliação. Mas às vezes escapam as frases que dão o tom do tensionamento. "O que o Partido dos Trabalhadores tem que saber: não temos duplicata assinada. Nem com o PT nem com ninguém", afirma Wilson Martins. "Somos parceiros históricos. Temos que ter essa liberdade de dizer 'tudo bem, somos aliados, amigos da Dilma, estamos com a Dilma na governabilidade, na parceria administrativa'. Isso é uma coisa. Isso representa a história, o passado, e o que a gente representa no presente. Agora, o futuro vamos discutir em 2014, com o sentimento de que o partido tem a liberdade de, se for prudente, colocar uma candidatura."

Interesse. Casagrande diz que está "seguindo a orientação do presidente do partido" de que, "publicamente", o assunto candidatura deve ser tratado em 2014. Sustenta, contudo, ser "impossível" não entrar de alguma forma no debate porque "a campanha já está posta". Ele afirma que Campos se movimenta politicamente "porque tem interesse" nos dividendos das articulações e diz que os bons resultados eleitorais do PSB nos anos de 2010 e 2012 fizeram com que "alguns setores" colocassem o governador pernambucano no "centro do debate presidencial". "Não há nada que impeça uma candidatura do partido", diz Casagrande.

O governador capixaba diz que o PSB tem ajudado a presidente no Congresso e "onde quer que a gente possa". Mas dispara: "O nosso compromisso é com o governo Dilma, não com a reeleição da Dilma".

Desserviço. Ricardo Coutinho, da Paraíba, classifica a antecipação do debate eleitoral como "um desserviço" e diz que o Brasil tem outras prioridades, uma vez que, segundo ele, "vivencia um momento delicado de estabilidade econômica, em função da crise mundial" - nos bastidores, o PSB avalia que um cenário econômico desfavorável a Dilma favoreceria o intento de Campos.

Coutinho sustenta que o PSB não é um subpartido, agregado de outra legenda. "Em 2014, decidiremos, com a maturidade de um partido cônscio de suas responsabilidades para com o Brasil, e de não sermos um subpartido e sim construtores de um projeto maior que qualquer partido isoladamente, a nossa intervenção no processo eleitoral."

Capiberibe diz que hoje o cenário para o PSB é diferente do de 2010, quando o partido decidiu não lançar a candidatura de Ciro Gomes para apoiar Dilma. "O partido cresceu. Se houver consenso, a candidatura do Eduardo vai ser uma boa opção para o País."

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