Campos rifa ruralista para manter neoaliados

Após declarações de Marina, Caiado rompe negociação com PSB; em troca, Rede aceita não criticar outros recém-filiados que já foram do DEM

Eduardo Bresciani, Bernardo Caram e João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2013 | 02h06

O líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), um dos principais nomes da bancada ruralista no Congresso, foi o primeiro aliado a ser sacrificado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, após a filiação de Marina Silva ao PSB. Em troca, a Rede se comprometeu a não fazer exigências que atrapalhem adesões recentes ao PSB, como as do deputado Paulo Bornhausen (SC), ex-DEM e PSD, e do ex-senador Heráclito Fortes (PI), ex-DEM.

Caiado é tido por Marina como um adversário com o qual é impossível buscar a conciliação. Em entrevista ao Estado publicada ontem, a ex-ministra sugeriu que Caiado poderia deixar a base de apoiadores de Campos. Depois da entrevista, o presidente do PSB declarou que o apoio do deputado se circunscrevia a uma aliança em negociação no Estado de Goiás e que o acordo seria revisto.

Rifado, Caiado reagiu. Disse que o apoio do DEM em alguns Estados à candidatura de Campos à Presidência, como vinha sendo negociado, não existe mais. "Ao receber a notícia de que ela se filiaria, eu dei boas-vindas, disse que o governador de Pernambuco estava praticando uma política moderna, que ele estava dando espaço a todas as tendências e que, se eleito presidente, definiria o eixo das negociações. É isso que eu esperava", declarou Caiado.

Quanto a Marina, o líder do DEM respondeu: "Ela não tem que me dizer se devo sair ou se devo entrar. Isso já está decidido. No momento em que ela declara intolerância ao setor rural, passe bem", afirmou. O deputado disse que a ex-ministra é preconceituosa e sectária. "É espantoso que alguém que pretende governar o País tenha uma postura tão preconceituosa com o setor produtivo primário. Eu não conspiro contra o meu Estado, não conspiro contra uma classe de que tenho o maior orgulho do mundo em defender. Se tem o veto ao produtor rural, não cabe o Ronaldo Caiado nesse espaço."

Heráclito Fortes afirmou ao Estado que é o Palácio do Planalto que está alimentando a cizânia na aliança PSB-Rede. "Eles articularam isso lá no governo", afirmou. "Que pecado tem eu ter entrado no PSB? Analisem a minha vida. Se tem um problema nessa coligação, e esse problema for eu, posso dizer que a aliança está salva."

O Palácio do Planalto não quis comentar as afirmações do ex-senador. Paulo Bornhausen, presidente do PSB catarinense, não foi encontrado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.