Campos recebe ligação de Dilma durante coletiva de imprensa

Governador de PE diz que 'já tem muita gente querendo criar problemas para a presidente'

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2012 | 19h38

RECIFE - O governador Eduardo Campos, presidente nacional do PSB, reiterou nesta segunda-feira, 29, em entrevista coletiva, concedida para avaliar o resultado do segundo turno das eleições, a sua fidelidade à presidente Dilma e o seu bom relacionamento com o ex-presidente Lula.

"Já tem muita gente querendo criar problemas para a presidente Dilma", afirmou. "Nós queremos criar soluções, ajudar a tocar a pauta que interessa à população neste momento".

No seu propósito de não criar qualquer tipo de aresta como partido da base aliada do governo, afirmou que o caminho a ser seguido pelo PSB, depois do bom desempenho nas urnas, "será o de cada vez buscar mais o que une e relevar o que separa". Dentro dessa diretriz, também nada comentou sobre as próximas eleições presidenciais, quando indagado sobre o assunto. "2014 é em 2014", limitou-se a dizer sobre o noticiário que o tem colocado no páreo presidencial.

Para ele, a lição que fica dessa eleição é: "passada a eleição, o importante é cuidar do que interessa ao povo". "Quem fica entre uma eleição e outra só cuidando do que não interessa ao povo, quando chega a eleição não tem o que dizer e normalmente tem resultados frustrantes", observou.

Depois de aumentar de 310 para 443 o número de prefeituras sob o comando do seu partido e de conquistar cinco capitais brasileiras, a estratégia do PSB, agora, será olhar para o futuro, dar conta da responsabilidade recebida e aprender tanto onde ganhou como onde perdeu.

Onde ganhou, vai buscar imprimir uma gestão que atenda à população - o partido se prepara para fazer seminários sobre gestão pública com os prefeitos eleitos. Onde perdeu, de acordo com Campos, o PSB tem a responsabilidade de colaborar com os que ganharam. "Ter maturidade para não fazer a velha política de ficar torcendo contra, procurando atrapalhar", observou. "Isso não cabe mais e quem fez este tipo de aposta terminou se dando mal".

Ele não quis fazer comentários sobre os resultados negativos da sigla, a exemplo de João Pessoa (PB) e Curitiba (PR), onde perdeu a reeleição. "Hoje é dia de celebrar", observou ao dizer que o PSB conseguiu reeleição em 72% dos municípios que governa.

Telefonema. Pouco depois do início da coletiva, o governador recebeu telefonema da presidente Dilma. Retirou-se e voltou 15 minutos depois dizendo que haviam tratado de questões administrativas e que ele deverá se encontrar com a presidente, em Brasília, provavelmente na próxima semana.

Sobre as cobranças e críticas feitas por ele nos últimos dias quanto à demora da ação do governo federal em relação à pior seca dos últimos 30 anos que assola o Nordeste e à sua indignação em relação ao tempo que durou o apagão da semana passada em todo o Nordeste e parte do Norte - ele botou panos mornos e garantiu que não houve crítica, apenas estava fazendo sua parte como governador. Da mesma forma, sua pressão pela discussão de um novo pacto federativo, que desafogue Estados e municípios, é uma bandeira que, segundo ele, defende há muito tempo.

Quanto aos seguidos comentários sobre a dificuldade que teria passado a existir entre ele e o ex-presidente Lula, Campos disse que "uma relação de tantos anos, que passou por momentos tão duros e bonitos da vida política brasileira nos últimos 20 anos não vai ficar ao sabor do disse me disse e de quem se interessa por esse tipo de coisa, de separar as pessoas, de tentar intrigar as pessoas".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.