Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Campos promete agora aumentar isenção do IR

Candidato diz que vai reajustar tabela do IR, elevando faixa de dispensa de pagamento; ele recebeu propostas de auditores fiscais

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2014 | 02h06

RIO - Em reunião com sindicatos e associações de auditores fiscais, o candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, prometeu, se eleito, não aumentar a carga tributária e reajustar a tabela do Imposto de Renda, elevando a faixa salarial de isenção do tributo. No entanto, não apresentou medidas concretas e evitou falar em prazos e impactos orçamentários de possíveis mudanças.

"Serei o primeiro presidente da República que se compromete que não haverá aumento da carga tributária e apresentará uma rampa para redução da carga tributária no Brasil", disse Campos aos fiscais.

Os servidores do Fisco entregaram ao candidato uma série de propostas, como reajuste gradual na tabela do Imposto de Renda que permita, ao fim de dez anos, a isenção do tributo para quem ganha até R$ 2.800 mensais. Atualmente, estão isentos os trabalhadores que recebem até R$ 1.787 mensais.

Campos disse que sua equipe vai estudar as sugestões e não encampou nenhuma delas. Mas adotou discurso semelhante ao dos fiscais. "É inconcebível que quem ganhe R$1.800 já pague Imposto de Renda e que os pobres paguem proporcionalmente mais imposto que os ricos."

'Quatro anos'. Questionado como pretende cumprir promessas como passe livre para estudantes da rede pública, que custaria R$ 12,8 bilhões ao ano, e ao mesmo tempo não aumentar a carga tributária, Campos disse que as medidas não serão implementadas "da noite para o dia". "Estamos falando de um governo de quatro anos e ao longo desse período nós vamos ter tempo de fazer a reforma tributária, para equilibrar as contas públicas, crescer o país, fazer do ensino integral uma realidade, ter o passe livre. Esse é um processo que estamos fazendo com responsabilidade, fazendo conta."

O candidato afirmou que é preciso "liberar a renda dos pobres para estimular o consumo" e que a redução da pobreza registrada nos últimos anos está em xeque. "Não podemos crescer 1% do PIB. O que houve de avanço de inclusão das famílias vai desaparecer rapidamente se continuar esse padrão de crescimento", disse. O ex-governador de Pernambuco garantiu que vai mandar uma proposta de reforma tributária ao Congresso na primeira semana de governo.

No fim da tarde, Campos visitou um comitê itinerante do PSB na Cinelândia, no centro do Rio, e foi a pé para a Academia Brasileira de Ciências, onde discutiu propostas para a área de ciência e tecnologia. / COLABOROU FELIPE WERNECK

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