Campos opta por 'agenda afetiva' e falta à festa

Governador do PSB deixa de lado evento de aliados para ir a missa de Fernando Lyra

O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2013 | 02h08

Na condição paradoxal de um dos principais aliados do governo Dilma Rousseff e ao mesmo tempo potencial adversário da presidente em 2014, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), não compareceu ao evento do PT realizado ontem em São Paulo.

Campos, presidente nacional do PSB, foi convidado para o encontro, assim como outros integrantes da base governista. O pernambucano alegou "complicações" em sua agenda e seu partido foi representado pelo vice-presidente, Roberto Amaral.

O governador passou o dia de ontem no interior pernambucano. Em Timbaúba, na região da Zona da Mata, participou da cerimônia de entrega de um conjunto habitacional. No fim da tarde, ele seguiu para Caruaru, no Agreste pernambucano, para acompanhar a missa de 7.º dia pela morte do ex-ministro Fernando Lyra. O compromisso em Caruaru foi classificado pela assessoria do governador como "afetivo". Lyra era conselheiro e incentivador de Campos e foi um dos mais determinados apoiadores da candidatura do neto de Miguel Arraes ao governo de Pernambuco em 2006. Hoje e amanhã, Campos participa de seminário com os 184 prefeitos de Pernambuco em Gravatá, também no interior do Estado.

No ato petista, o governador encontraria o ex-presidente Lula e a presidente Dilma. Na semana passada, integrantes do PSB disseram que o governador iria avisar Lula que pretende disputar mesmo a Presidência em 2014. A ausência de Campos num evento considerado importante para o PT dá gás à tese dos que defendem que o pernambucano tenha projeto político próprio na próxima eleição presidencial.

'Viagra'. Representando o PSB no evento que comemorou os 10 anos do PT no governo federal, Roberto Amaral defendeu que sua sigla faça esforços para fortalecer o governo Dilma. Ele assegurou que a legenda não será oposição ao governo do PT. "Não seremos 'viagra' da oposição. O campo do PSB é à esquerda."

Ainda sobre oposição, o vice-presidente do PSB afirmou que partido não terá nenhum representante se opondo ao governo. "Não temos ninguém no PSB para fazer o papel de FHC."

Para Amaral, seu partido se sentia à vontade no ato petista, porque também faz parte deste governo. "É um evento que nos pertence também", afirmou.

Na mesma linha adotada por Campos, ele disse que é cedo para falar em eleição presidencial. "É injusto falar em sucessão agora. Estamos na metade do mandato do governo Dilma."

Perguntado sobre a possível candidatura do governador em 2014, Amaral disse que o assunto não está sendo discutido e que o que existe são "especulações".

No entanto, o dirigente do PSB deixou em aberto a hipótese de a sigla participar da chapa para a reeleição da presidente Dilma. "O PSB vai estar na campanha. Temos um ano e meio para decidir", destacou.

'Sem caráter'. Amaral criticou ainda o novo partido a ser criado pela ex-senadora Marina Silva. "É um partido sem caráter, ou seja, sem definição programática", afirmou. Na avaliação do vice-presidente do PSB, as informações que chegaram por meio da imprensa sobre a nova legenda sinalizam que é "um negócio fundamentalista, religioso e preconceituoso". / JULIA DUAILIBI, ANGELA LACERDA, DAIENE CARDOSO, GUSTAVO PORTO e BEATRIZ BULLA

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