Campos liga 'sustentáveis' a 'socialistas'

Em discurso que tenta incorporar conceitos de Marina, Campos diz que um é a releitura de outro

Angela Lacerda / RECIFE, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2013 | 02h13

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, usou nessa segunda-feira, 7, conceitos caros aos seguidores da ex-ministra Marina Silva para defender a aliança anunciada no sábado. Para o presidente nacional do PSB, potencial candidato à Presidência em 2014, seu partido e a Rede estão em acordo no que é "fundamental" e que, "a sustentabilidade é uma releitura do socialismo".

"O Brasil merece ter uma opção que resgate a esperança, a leveza na política, o compromisso com o povo, a excelência da gestão, da participação popular, dos valores da ética, da sustentabilidade que é, sem sombra de dúvida, uma releitura do socialismo, e é o que vamos fazer com muita tranquilidade", afirmou o governador.

Campos, porém, reconheceu haver diferenças entre PSB e Rede, partido que Marina começou a articular, mas para o qual não obteve registro da Justiça Eleitoral a tempo de poder disputar as eleições de 2014. "O objetivo maior é reforçar o que nos identifica: o desejo de construir uma nova política no Brasil", disse, ao ser questionado sobre a compatibilidade de seu partido com posições pessoais da ex-ministra, como aborto ou união homoafetiva.

"Fizemos uma coligação programática. Reconhecemos as diferenças que temos, tanto que somos dois partidos: um que tem 60 anos e um que tem um ano, recém-criado, que busca novos valores que têm na sociedade", disse o governador, após vistoria em obras de expansão do Hospital do Câncer. Para Campos, a convivência dos militantes do PSB com os da Rede será importante para "renovar" o partido.

'Largueza'. O governador frisou mais de uma vez conceitos que foram usados por Marina na articulação para criar a Rede, como "mudar a política" ou "enterrar a velha política". "Essa sinergia é que nos permite seguir discutindo um programa", afirmou. "Essa construção só é possível porque Marina teve um gesto de grande largueza política, de grande compreensão."

Para o governador, Marina reagiu "de maneira extraordinária" ao que, "aos olhos da política tradicional, poderia ser um golpe fatal", referindo-se à rejeição ao registro da Rede. "Ela viu ao longe, viu um movimento que a política tradicional não enxergava e construiu o mais forte ato político dos últimos anos da política brasileira, que vai ter grande reflexo sobre 2014."

Campos ainda lembrou que um senador de sua legenda - Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) - foi ao Supremo Tribunal Federal para impedir a votação de um projeto de lei que cortaria recursos e tempo de TV de novos partidos, o que prejudicaria a criação da sigla de Marina.

"Agora é hora de termos PSB e Rede, Eduardo e Marina, muita responsabilidade para cuidar desse encontro, para seguir mostrando o conteúdo que esse encontro representa, para pensar e ouvir o Brasil, para que a gente possa em 2014 fazer com que o Brasil viva um debate democrático em torno de projeto e valores", afirmou o governador. "Quanto mais fizermos bem o debate de conteúdo, sintonizados com os valores que nós representamos na vida pública brasileira hoje, mais o eleitoral vai vir."

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