'Campos foi arbitrário ao fazer a intervenção no partido no Rio'

Afastado do comando do PSB do Rio de Janeiro para dar lugar ao deputado federal Romário, o prefeito de Duque de Caxias (na região metropolitana do Rio), Alexandre Cardoso, criticou ontem a cúpula nacional, que interveio no diretório fluminense sob a alegação de que ele estaria atuando contra os interesses do partido.

Entrevista com

ADRIANO BARCELOS / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 02h14

Para Cardoso, o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, atuou de forma "arbitrária" ao interferir no diretório. Em sua avaliação, a candidatura do governador pernambucano à Presidência está sendo construída "de cima para baixo".

Ontem, foram encaminhados ao Tribunal Regional Eleitoral os documentos sobre o afastamento de Cardoso e a composição da nova diretoria do partido. A primeira reunião sob comando de Romário será segunda-feira às 16h. O PSB fluminense espera a presença de Campos - um ato político está sendo preparado.

O novo vice-presidente da sigla no Rio, deputado federal Glauber Braga, diz que o desembarque da equipe que participa do governo Sérgio Cabral (PMDB) é fato consumado e não há hipótese de os filiados continuarem ocupando cargos no Estado. O tom agora é de enfrentamento. "Quem tinha relação com o governo Cabral era ele (Alexandre Cardoso), explica Braga, para quem "as portas estão fechadas para o PMDB do Estado do Rio, com cadeado e tudo".

Por que o PSB do Rio foi alvo de intervenção?

Todo mundo que defende o apoio a Dilma no PSB foi defenestrado. Por que o Cid (Gomes, governador do Ceará) está saindo? O PSB está tomando um caminho anti-Dilma e no segundo turno pode até apoiar o (senador) Aécio (Neves, possível candidato do PSDB à Presidência da República em 2014). Esse não é um projeto de partido para mim. Precisamos é de um projeto nacional que dê continuidade ao projeto criado por Lula.

Se Campos quer ser candidato e parte do PSB prefere apoiar Dilma, qual a saída? Por que a gente vai romper com o Pezão (Luiz Fernando de Souza, vice-governador do Rio)? O que não se pode é, depois de 11 anos de governo do PT, achar que é oposição no último ano. Depois de sete anos de governo Cabral, achar que é oposição no último ano. Só porque o governo está mal avaliado? Acho que não é ético.

O sr. é contra candidatura própria do PSB ao Planalto?

Não sou a favor de uma candidatura a presidente construída de cima para baixo. O Eduardo é uma pessoa competente? É. Mas foi arbitrário ao fazer uma intervenção em cima de um requerimento de duas pessoas, sendo que uma delas é permanentemente adversária da maioria no PSB. Ele não escutou a maioria. Nós temos 70% dos votos na executiva do PSB e ele escutou quem tem 10%.

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