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Campos filia vice, critica governo e ganha 'santinho'

Governador tenta garantir palanque, fala da dependência em relação ao Bolsa Família e vê distribuição de adesivos pedindo sua eleição ao Planalto

Angela Lacerda - O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2013 | 02h09

RECIFE - O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, filiou ontem a seu partido João Lyra Neto, seu vice. No mesmo evento, criticou a dependência da população em relação ao principal programa social federal, o Bolsa Família, e ganhou até "santinho" pedindo sua eleição ao Planalto em 2014.

Lyra Neto, até agora no PDT, é cotado para disputar o governo estadual sob apoio de Campos. Assim, ele poderia garantir o palanque em Pernambuco para o projeto presidencial do atual governador do Estado.

"A decisão está tomada, vou para o PSB", disse Lyra Neto em um encontro de vereadores do partido realizado no Recife. "Minha posição é de ser um instrumento para ajudar na campanha do governador Eduardo Campos se ele for candidato à Presidência", completou o vice.

Lyra Neto disse que oficializará a troca de partido em setembro, no prazo limite para quem pretende concorrer no próximo ano. "Apenas estou aguardando um momento que não cause nenhum transtorno nos entendimentos da possibilidade de o PDT vir a apoiar o governador Eduardo Campos", disse. "Mas entendo que as demonstrações de comportamento são de que o partido está com a presidente Dilma."

Apesar de Campos se recusar a falar publicamente sobre 2014, os presentes ao encontro de vereadores receberam o governador como candidato à sucessão da petista Dilma Rousseff. No palanque, o governador aproveitou para alfinetar a gestão federal. "Estamos vendo hoje as filhas do Bolsa Família serem mães do Bolsa Família. E vamos assistir a elas serem avós do Bolsa Família?", disse, numa crítica à dependência da população em relação ao programa social.

Campos aproveitou para comentar a recente corrida das famílias ao banco para sacar o benefício após boatos segundo os quais ele iria acabar. "A apuração tem que ser feita doa a quem doer", disse o governador.

Adesivos. Além do discurso crítico a Dilma e da ação que poderá garantir um palanque local, Campos ganhou um adesivo no evento de ontem: "Brasil Pra Frente, Eduardo Presidente", dizia o material distribuído para os presentes no encontro.

O governador negou ter conhecimento do adesivo. O vereador olindense Mário Barbosa assumiu a autoria da peça. Afirmou ter feito 500 adesivos ao custo de R$ 280 e apresentou argumentos pouco convincentes ao negar a intenção de propaganda política. "É Eduardo presidente do PSB", desconversou.

A pessoa que distribuiu a propaganda afirmou que o adesivo era do PSB, para ser entregue unicamente nos eventos internos.

O ato é passível de processo por propaganda antecipada, segundo Alberto Luís Rollo, especialista em direito eleitoral. A peça, que traz ainda a foto de Campos, o símbolo do PSB e a frase "uma nova forma de governar pra você", cita o cargo político almejado e faz alusão ao futuro - pontos que, diz Rollo, o Tribunal Superior Eleitoral costuma considerar ao caracterizar casos de propaganda irregular. A punição é multa de R$ 5 mil a R$ 25 mil.

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