Campos diz que é preciso 'coragem' para recuperar indústria

Candidato do PSB ouve reclamações do setor de máquinas e defende a criação de novas fontes de financiamento

Ana Fernandes, Agência Estado

07 de agosto de 2014 | 11h58

São Paulo - O candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, disse em evento na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quinta-feira, 7, que é preciso "coragem" para recuperar a indústria brasileira e criticou a política do atual governo de conceder incentivos apenas a determinados setores produtivos. Segundo Campos, a solução é rever a gestão da política econômica, que, atualmente, "não tem visão de longo prazo".

Depois de a associação apresentar dados que mostram uma crise no setor, Campos afirmou que a indústria de equipamentos "está na UTI" e que a única solução para recuperá-la é a retomada do crescimento. "Não tem solução isso aqui se o País continuar patinando a 0,9% (de crescimento do PIB)", afirmou. Para Campos, o Brasil precisa de um presidente com "coragem" para defender a indústria e que não seja conivente com esse processo que leva ao "derretimento" de empregos. "Precisamos salvar a indústria brasileira da maior crise que viveu nos últimos 40 anos."

Aos empresários, o candidato disse ser favorável à política de incentivo ao conteúdo local. "Temos que ter visão de defender a indústria brasileira e conteúdo local, sim, mas temos que ter foco de ganhar produtividade na nossa economia", afirmou. Campos também defendeu a criação de novas fontes de financiamento para ajudar a indústria.

O setor de máquinas e equipamentos afirmou que vem recebendo incentivos do governo federal, especialmente nos últimos cinco anos, mas mostrou queda nos índices de produção. O setor reclama das condições de câmbio e do custo Brasil.

O candidato voltou a fazer críticas à gestão econômica do atual governo e repetiu a necessidade de rever a condução da macroeconomia, para corrigir desequilíbrios de inflação alta, juros altos e baixo crescimento. Ele atacou também a política de incentivo, que, segundo ele, prioriza determinados setores da indústria. "Setores da indústria conseguiram ter ambientes e nichos diferentes para sobreviver."

A exemplo de declarações anteriores, Campos afirmou que a solução para melhorar o ambiente econômico está na política, e não apenas na economia. O candidato voltou a bater na tecla de que é preciso acabar com a polarização entre PT e PSDB e que a sua proposta é governar "com os bons".

A Abimaq já ouviu o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, no início de julho e vai ouvir o vice-presidente Michel Temer, candidato a vice na chapa da presidente Dilma Rousseff, no início de setembro.

Mais conteúdo sobre:
eleiçõesEduardo Campos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.