Campos critica falta de espaço no governo Dilma para debates

Para governador, se aliados não têm chance de falar o que pensam internamente, têm de expor opiniões por responsabilidade com País

RECIFE, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h14

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em mais um lance político que comprova a pretensão de concorrer à Presidência em 2014, criticou a falta de espaço de aliados no governo da presidente Dilma Rousseff. O pernambucano, que preside o PSB nacional, afirmou que quando os aliados não têm a oportunidade de dizer o que pensam internamente o fazem externamente. As declarações foram dadas dois dias após a presidente Dilma enfatizar a importância da coalizão do governo.

"Aliados do governo, quando têm a oportunidade de falar, devem falar ao próprio governo. Quando não se tem essa oportunidade, tem de se ter responsabilidade de falar o que a gente deve falar", afirmou, usando como exemplo a medida provisória sobre funcionamento dos portos - a MP dos Portos, que tira a autonomia do Porto de Suape, um dos alicerces do recente crescimento econômico do Estado.

"Se eu tivesse sido chamado para discutir internamente a Medida Provisória dos Portos, teria falado. Não fui. Fiquei calado, não tive nenhum fórum para me colocar. Depois dela publicada, vocês (imprensa) me procuram, a comunidade pernambucana com justa razão se preocupa e quer ouvir nossa posição." Campos é contra a MP dos Portos.

Eduardo Campos voltou a negar que esteja em campanha política e disse não considerar que suas críticas ao governo sejam sinais de intolerância. "Nossa posição é de solidariedade com esse projeto. Mas é preciso discutir o Brasil, e isso não pode ser um incômodo para o governo, que não pode tratar com intolerância aqueles que querem fazer um debate sobre uma visão estratégica do País", emendou.

Entre risos, comparou suas críticas às feitas pelo empresário Jorge Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência. "Imagina se eu tivesse falado o que Gerdau falou", disse. O empresário classificou de "burrice" o tamanho da máquina pública e a quantidade de ministérios.

Campos negou que sua agenda já seja de candidato. "Candidaturas serão discutidas em 2014, até porque ninguém sabe dizer o que vai acontecer com cada um dos partidos. Estão todos debatendo." / ANGELA LACERDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.