Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Campos cita Renan para explicar saída da base aliada

Segundo ele protagonismo aumentou depois que Calheiros chegou à presidência do Senado, em fevereiro do ano passado

Ana Fernandes e Stefânia Akel, Agência Estado

11 de agosto de 2014 | 11h49

O candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, disse nesta segunda-feira, 11, em sabatina promovida pelo portal G1 que, apesar de quadros do PMDB como José Sarney e Renan Calheiros estarem na esfera de influência do governo federal desde o início da gestão petista, ganharam "protagonismo" quando Renan foi eleito presidente do Senado, em fevereiro do ano passado. O candidato foi questionado sobre o motivo de sua saída da base do governo e ressaltou que, quando da eleição de Renan, seu partido apoiou Pedro Taques (PDT) na disputa.

"Nunca na minha vida mudei de lado. Saímos (do governo) quando nossas discordâncias não permitiram que estivéssemos lá", disse Campos, incluindo referência à sua companheira de chapa, Marina Silva, que também deixou a base do governo petista.

Campos repetiu o discurso de que o País precisa de renovação na política e que é preciso acabar com a polarização entre PT e PSDB dizendo que o Brasil "parou de melhorar" por causa do "esclerosado" sistema presidencialista de coalizão.

Questionado por que Marina não é a cabeça de chapa, já que tem maior conhecimento entre os eleitores, Campos não respondeu diretamente. Explicou que Marina procurou o PSB a partir do momento que não conseguiu aval da Justiça Eleitoral para criar o partido Rede Sustentabilidade. "Marina nos procurou para construir um programa e uma agenda para melhorar a política."

Sobre as intenções de voto de Marina ainda não convertidas para sua candidatura, o pessebista repetiu que não acredita em "transferência" de votos, pois o voto é de cada cidadão.

"Desindustrialização"

O candidato do PSB à Presidência destacou que o Brasil sofre um processo de "desindustrialização" e afirmou que tomará medidas para aumentar a produtividade da indústria.

Segundo ele, esse processo vem desde antes da implementação do Plano Real. "O PSDB também não foi bom para a indústria", afirmou na sabatina. "Precisamos de inovação e tecnologia, não somente de tarifas de importação."

O candidato reiterou seu compromisso com o tripé macroeconômico - composto pelo regime de metas de inflação, fiscais e pelo câmbio flutuante - e criticou a "governança macroeconômica errática" do atual governo, citando a inflação alta e o câmbio desvalorizado. Campos também voltou a defender um Banco Central mais independente.

Obras

Questionado sobre o que faria para dar sequência a obras inacabadas no Brasil, Campos não respondeu com medidas específicas, mas voltou a criticar a gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). "O Brasil tem menos obras do que deveria ter e elas não terminam no tempo certo. Muitas obras estão paradas no atual governo, com projetos precários, contratação de empresas que abandonaram a obra e dificuldade no processo de tomar decisões", avaliou.

Aposentadoria e estudantes

Sobre uma revisão do fator previdenciário, Campos afirmou que sua equipe está avaliando a questão e "fazendo contas". "Até o final da campanha voltaremos a falar sobre isso", disse.

Questionado sobre o passe livre para estudantes, o candidato afirmou que tem esse compromisso, pois é um compromisso com a educação. "Muitas pessoas estão deixando a universidade porque não têm condição de ir e vir", afirmou. Campos explicou que, se eleito, criará um fundo nacional com a participação de Estados e municípios que se candidatarem visando financiar o passe livre para estudantes.

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