Campos chama Ciro em sinal de trégua no partido

Com um olho nas eleições municipais e outro nas presidenciais de 2014, o governador Eduardo Campos (PE) dedicou-se nos últimos 45 dias a tentar restabelecer a unidade do PSB, partido que preside. O principal gesto pacificador foi oferecer a Secretaria de Relações Institucionais da sigla ao ex-ministro Ciro Gomes, até então o principal foco de dissidência no partido.

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h05

Por trás da ofensiva de Campos pela paz no PSB está a intenção de se fortalecer perante o PT em 2014, de olho numa eventual vice na chapa de Dilma Rousseff, substituindo o PMDB como principal parceiro dos petistas.

Mas, dependendo da evolução política e do leque de alianças que pretende fazer com partidos governistas e de oposição em outubro, Campos trabalha até com a possibilidade de o PSB lançar candidato próprio à sucessão de Dilma. O principal nome é o dele mesmo. Pesquisa Band/Ibope feita no fim de dezembro apontou aprovação de 89% à sua gestão - melhor resultado obtido no País por um governador.

Campos sabe, no entanto, que tem em Ciro um adversário interno, que vem reivindicando o direito de ser o candidato a presidente em 2014. Durante o congresso do PSB que reconduziu o pernambucano ao comando do PSB, em dezembro, Ciro chegou a dizer que respeitava o desejo do governador de se candidatar, mas que se considerava mais preparado. "Ele (Campos) precisa de mais estrada", afirmou.

Campos trabalha muito nos bastidores. E foi pensando nisso que ele se reaproximou de Ciro. Em vez de rebater o rebelde ex-ministro em relação à "falta de estrada", preferiu dizer que Ciro era, de fato, o único candidato à Presidência dentro do partido. E afirmou que está empenhado num projeto político que, no momento, é encabeçado por Dilma.

Desconfiança. O PT vê as movimentações de Campos com desconfiança. O partido sabe da simpatia que o ex-presidente Lula tem pelo neto do ex-exilado e ex-governador Miguel Arraes, o que pode ser um forte incentivo para suas pretensões eleitorais. E vê ainda com maior preocupação a desenvoltura de Campos em traçar alianças no Sul e Sudeste que excluem o PT.

Um exemplo é Curitiba. Lá, o PT foi tão excluído de uma aliança com o PSB que o partido de Dilma deverá abrir mão de disputar a prefeitura para apoiar Gustavo Fruet (PDT), ex-tucano. O adversário a ser batido é o socialista Luciano Ducci, que tem o apoio de PSDB, DEM e PPS.

Campos já deixou claro que seu objetivo é fazer o PSB crescer nas eleições municipais. Segundo seus planos, o partido deverá participar do pleito em 4 mil municípios, com cabeça de chapa em cerca de 1,5 mil. Nas contas de Campos, será possível eleger perto de 500 prefeitos. Hoje, o PSB tem 302. Quando Lula venceu a eleição em 2002, o PT tinha 292 prefeitos.

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