Campos apoia tese de Aécio sobre reeleição

Para governador, eleição a cada dois anos promove a 'eleitoralização da política'; proposta do tucano recebe críticas de correligionários

Angela Lacerda, João Domingos, Rafael Moraes Moura, Mariângela Gallucci e Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2013 | 02h08

RECIFE E BRASÍLIA - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aliou-se ao pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves (MG), e declarou-se "defensor convicto do fim da reeleição". Assim como o tucano, Campos deverá disputar a Presidência em 2014. O Estado informou ontem que Aécio vai apresentar proposta no Senado propondo o fim da reeleição, mandato de cinco anos e coincidência entre eleições no País.

Eleição de dois em dois anos, segundo o pernambucano, promove a "eleitoralização da política". "Tudo o que se faz ou deixa de fazer é interpretado como relacionado com a eleição, o que é muito ruim para o País", justificou Campos. "A cada dois anos, por exemplo, o Estado para, não pode contratar nem fazer convênios com municípios por um determinado período".

A ideia de Aécio não é recebida de maneira uniforme no PSDB, ainda que José Serra e Geraldo Alckmin - ambos ex-candidatos à Presidência - já se tenham pronunciado favoravelmente ao fim da reeleição. Ontem, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) defendeu as regras atuais e chamou a proposta de "extemporânea".

"Trata-se de uma proposta lateral, que nada diz em relação ao enfrentamento com o governo. Temos de apresentar proposta para derrotar o PT. Tamanho de mandato e coisas semelhantes são propostas recorrentes e não dizem respeito à campanha. Campanha fala de programas, mostra o que está errado", criticou Aloysio, que prefere deixar as regras como estão. "Sou a favor do jeito que está, quatro anos de mandato com reeleição. O eleitor tem o direito de julgar o governante. Se não gostar, muda. Se gostar, reelege."

O ex-líder tucano Arnaldo Madeira (SP) também criticou a proposta de Aécio: "Incrível! Voltamos ao supérfluo. Discutir cinco anos de mandato e coincidência das eleições. O passado nos chama", escreveu ele no Twitter. "Cinco anos de mandato para todos, nos três níveis, significa enrijecer de tal forma o sistema político que só o velho golpe para resolver crises", complementou.

Já o ex-governador Alberto Goldman diz que, hoje, é a favor do fim da reeleição. "Hoje eu não votaria a favor da reeleição, mas, sim, a favor de um mandato um pouco maior como o Aécio afirmou. A experiência não me faz ter o mesmo entendimento de antes", disse.

O PT é contra a proposta de Aécio. Também o governo não vê razões para entrar no debate neste momento, ainda que a presidente Dilma, se reeleita em 2014, não corra o risco de ser prejudicada pela proposta do tucano. Ao contrário. Teria cinco em vez de quatro anos de mandato. "Não vamos mudar as regras no meio do jogo, como foi feito no governo Fernando Henrique para permitir a reeleição", disse o líder do PT na Câmara, José Guimarães.

O vice-presidente da República, Michel Temer, acha "complicado" aprovar o projeto de Aécio. E se houver mudanças, avisou, haverá recursos ao STF. "E quem vai resolver é o Judiciário." O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, mostrou-se também favorável ao fim da reeleição.

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